O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pediu à Justiça que o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, réus pelo assassinato do advogado Renato Nery, sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. Eles passaram por uma audiência de instrução e julgamento na última quarta-feira (23) e tiveram as prisões mantidas.
Após a audiência, o promotor de Justiça Rinaldo Segundo, protocolou as alegações finais do MP, onde detalhou o ocorrido, reafirmou as denúncias e concluiu que o conjunto de provas contra os réus é suficiente para que eles sejam julgados pelo júri popular.
“Ante o exposto, com fundamento nos requisitos previstos no caput do artigo 413 do Código de Processo Penal, o Ministério Público requer a pronúncia dos réus Alex Roberto De Queiroz Silva e Heron Teixeira Pena Vieira, nos exatos termos da denúncia, para que sejam, oportunamente, submetidos a julgamento perante o Egrégio Tribunal do Júri desta Comarca”, disse o promotor.
O crime aconteceu no dia 5 de julho do ano passado, em Cuiabá.
De acordo com o documento, Alex Roberto atuou no assassinato de Renato Nery como executor, enquanto Heron desempenhou o papel de “coordenador operacional”, no contexto de uma organização criminosa, sendo ele o responsável por contratar “indiretamente” Alex para matar o advogado.
Alex confessou que atirou em Renato Nery. Além disso, câmeras de segurança registraram o momento em que ele se aproximou da vítima, usando uma moto vermelha, em frente ao escritório de advocacia dele, na avenida Fernando Correa. O advogado foi atacado com sete tiros, todos direcionados à cabeça, de uma pistola Glock G17, adaptada para tiros em rajada.
Nery chegou a ser socorrido e submetido à cirurgia em um hospital particular da capital, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia seguinte.
Já quanto ao réu Heron Teixeira, além de provas que demonstram a participação dele como intermediário essencial na execução do crime, ele também é réu confesso. Foi ele quem ajudou a providenciar a Glock G17 por meio de contatos do Batalhão da Rotam, onde atuava. O PM também arrendou e disponibilizou uma chácara no bairro Capão Grande, em Várzea Grande, para servir como local de treinamento de tiros para Alex e, posteriormente, como esconderijo.
Além das confissões e provas que foram produzidas contra eles durante um ano de investigação da Polícia Civil de Mato Grosso, depoimentos de testemunhas confirmaram a participação de Alex Roberto e de Heron Teixeira no assassinato.
Ainda conforme apontado pelo MP, o crime envolveu uma rede de corrupção policial, que tinha o PM Jackson Pereira Barbosa como cabeça.
Heron e Alex foram denunciados pelo MP por homicídio qualificado, com as agravantes de promessa de recompensa, perigo comum, dificuldade de defesa da vítima e idade avançada da vítima, além de fraude processual, pelas tentativas de ocultar provas e dificultar as investigações, e organização criminosa. O PM também foi acusado de abuso de autoridade, por uso indevido do poder.
Fonte: Repórter MT




