A decisão do governo de Donald Trump de retirar as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), representa um golpe para a família Bolsonaro e expõe os limites da influência internacional do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), segundo análise apresentada de Jussara Soares no CNN Prime Time.
De acordo com a analista, aliados do deputado reconhecem que este desfecho enfraquece Eduardo Bolsonaro, que desde março atuava nos Estados Unidos denunciando supostos abusos cometidos pelo ministro do STF.
Em julho, o governo americano havia anunciado o tarifaço e a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes, medidas que acabaram sendo revertidas após aproximação entre o presidente norte-americano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O que aliados do deputado me dizem é que ele ainda tem o nome de Bolsonaro, ele ainda tem esse holofote de ser filho do ex-presidente, de ter essa força. Mas a atuação dele já vinha sendo apontada como erro, principalmente o fato dele ter falado que nada sobre Magnitsky passaria ou seria resolvido sem passar por ele, isso já vinha sendo apontado como erro”, explicou a analista.
Jussara Soares destacou ainda que o episódio deixa claro que Eduardo Bolsonaro “não tinha essa influência toda que ele vendia aqui no Brasil” e que o desfecho representa um abandono da família Bolsonaro por parte de Trump.
“Deixa um gosto de frustração para quem acreditou em Eduardo Bolsonaro, mas deixa também um sentimento de que Donald Trump acabou soltando a mão de Bolsonaro neste momento em que ele está preso na superintendência da Polícia Federal”, afirmou.
Pragmatismo de Trump e fragilidade do bolsonarismo
A analista observou que, embora ainda existam questões sensíveis a serem tratadas na relação entre o Brasil e os Estados Unidos, o governo Trump dá sinais de que adotará uma postura pragmática. Esta mudança de postura deixa o bolsonarismo “desamparado”, segundo Jussara Soares, em um momento de fragilidade política.
“Se via nos Estados Unidos um modo de fazer pressão, Trump dá sinais de que será pragmático”, afirmou a analista, lembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso na Polícia Federal e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) corre o risco de perder seu mandato por faltas, decisão que caberá à mesa diretora da Câmara dos Deputados.
Outro ponto criticado por aliados, segundo a analista, foi a reação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao fim das sanções contra Moraes, quando ele culpou a “falta de unidade” da sociedade brasileira pelo desfecho. “Foi mais um ponto que eles colocam como equívoco de Eduardo Bolsonaro”, concluiu Jussara Soares.
Fonte: Cnn Brasil




