ALEXANDRA LOPES | FOLHA MAX
A mãe de Bruno Aparecido dos Santos, estuprado e assassinado aos 9 anos, afirmou que “a Justiça foi feita” após a execução de João Ferreira da Silva, pedreiro condenado pelo crime e morto a tiros, na quarta-feira (10), menos de 24 horas depois de deixar a Penitenciária Osvaldo Florentino Leite, conhecida como Ferrugem, em Sinop (500 km de Cuiabá). O pedreiro havia sido preso por estuprar e matar Bruno, em 2005, na cidade.
João agrediu, violentou e matou o menino. Após, o criminoso enterrou o garoto no terreno de uma casa em construção.
Em entrevista à Real TV, afiliada da Record em Sinop, Josiana Aparecida da Silva disse que, apesar da dor que permanece, a morte do homem condenado pelo homicídio e estupro do filho trouxe a sensação de que ele não fará mais vítimas. “Eu peço perdão a Deus por eu estar feliz. Eu estou feliz não pelo meu filho, que o meu filho morreu, não tem como voltar. Mas estou feliz por ele não matar mais ninguém. Nenhuma criança não vai ser morta mais por ele”, afirmou.
“Sim, a Justiça foi feita, mas pra mim demorou muito tempo pra ser feita. Só que em questão do sentimento de ódio dele, eu tive coragem de ir lá no local pra eu ver a cara dele”, relatou. Ela contou que se arrependeu da decisão. “Mas me arrependi de ter ido, porque eu fiquei com ódio, com vontade de matar ele de novo.”
Na entrevista, a mãe disse que, diante da cena, percebeu que teria sido capaz de cometer o crime se tivesse oportunidade. “Eu achava que eu não teria coragem de matar ele, eu achava em mim que eu não teria. Mas hoje vendo ele morto, eu sei que se eu tivesse oportunidade de matar ele, eu teria matado como mãe”, desabafou;
Josiana também relembrou o dia do desaparecimento de Bruno. O menino havia sido deixado na casa do pai e, como fazia rotineiramente, saiu para ir até a casa de uma tia. “Ele estava na casa do pai. E aí ele saiu pra ir na casa da tia, como era de costume”, contou.
A família iniciou buscas desesperadas, mas o corpo da criança só foi encontrado dias depois, em um terreno baldio. “Desde então, achamos ele dia primeiro morto nessa cidade que achamos. Eu não tive coragem de ver ele, eu não vi ele morto”, disse, emocionada.
Ao falar sobre o futuro interrompido do filho, Josiana afirmou que a dor é diária. “Hoje eu poderia ter meus netos, filhos dele e não tem. Poderia ter ele um homem e não tem. Dói, dói todos os dias”, declarou.
Segundo ela, se Bruno estivesse vivo, hoje teria cerca de 29 anos. Apesar do sofrimento, a mãe afirma acreditar que o ciclo de violência foi encerrado. “Então agora ele não mata mais ninguém”, concluiu.
João Ferreira da Silva havia sido solto na quarta-feira (10) e foi executado a tiros no dia seguinte. A Polícia Civil investiga as circunstâncias e a autoria do crime.




