Pá, picareta, cal e gasolina foram encontrados em uma das caminhonetes usadas por criminosos que armaram uma emboscada durante uma falsa negociação de venda de fazenda, na zona rural de Cáceres (220 km de Cuiabá), nesta terça-feira (13). Parte dos R$ 218 mil extorquidos do fazendeiro, que também é advogado, já foi recuperada.
A Polícia Militar trabalha com a suspeita de que a vítima poderia ser assassinada após o sequestro, conforme informou o coronel Adão César, comandante do 6º Comando Regional da Polícia Militar, durante entrevista ao Programa Cadeia Neles, da TV Vila Real. Segundo o coronel, o crime foi “extremamente complexo” e só não terminou em tragédia por conta da resposta rápida da Polícia Militar.
“Essa ocorrência iniciou ontem por volta de 2 horas [madrugada], quando a vítima, um advogado, proprietário rural, procurou o Batalhão aqui nos informando da situação. Foi uma ocorrência extremamente complexa, mas que nós tivemos uma resposta rápida do 6º Comando Regional das Forças de Segurança da Polícia Militar aqui na região de Cáceres”, disse o militar ao Cadeia nesta quarta (14).
De acordo com Adão César, a vítima estava oferecendo a fazenda por cerca de R$ 9 milhões e foi até o local acompanhado de um corretor para suposta negociação com outros dois corretores. No local, além dos dois corretores, havia mais dois homens.
“Esses dois indivíduos renderam o proprietário e amarraram tanto ele como o corretor que chegou com ele no veículo. O que chamou a atenção da polícia foi que apenas o advogado e o corretor que o acompanhava foram amarrados”, detalhou. “O que nos levou a desconfiar desses corretores foi que tanto a vítima, o advogado, quanto o corretor que foi com ele foram amarrados e esses outros dois, mesmo rendidos, não foram amarrados”, aponta.
Os criminosos exigiram transferências bancárias via Pix. Como não havia sinal de internet na zona rural, a vítima foi levada até a cidade, sob escolta armada. “Ele teve que deslocar até a cidade com um dos elementos armados”, destaca.
Na cidade, a vítima foi forçada a fazer transferências que somaram R$ 218 mil, sendo R$ 128 mil, R$ 60 mil e R$ 30 mil para contas distintas. Parte do dinheiro já foi recuperado.“Até ontem ele tinha conseguido reaver boa parte, uma boa parte dos 60 mil e uma parte dos 128 mil”, informou.
Durante a investigação, a PM descobriu que os dois corretores que aguardavam no local não eram vítimas, mas integrantes do grupo. “Na verdade, eles teriam participado também desse crime também. Eles estavam também em conjunto”, diz. Inicialmente, eles negaram envolvimento, mas depois confessaram participação.
O coronel ainda informou que o material encontrado em uma das caminhonetes apreendidas indica a possibilidade que o bando pretendia matar o fazendeiro. “Em uma das caminhonetes foram encontrados a pá, uma picareta, cal e também combustível”, acrescenta.
Segundo ele, embora não haja confirmação, os objetos levantam a suspeita. “Nenhum dos suspeitos fez qualquer menção de que tentariam algo contra a vida da vítima, porém, são materiais que são incomuns nesse tipo de prática. Nos chamou a atenção porque são materiais em que você pode utilizar, sim, para uma ocultação de um corpo humano”, explicou.
Ao todo, quatro homens e uma mulher foram presos em Cáceres e Jaciara. A mulher recebeu um Pix de R$ 60 mil. Um dos suspeitos detidos em Jaciara recebeu R$ 128 mil e tentou repassar o dinheiro rapidamente. A PM apreendeu ainda armas, veículos, cartões bancários e celulares.
Fonte: Folha MS




