Por Marreta Urgente
A defesa do acusado no caso de feminicídio que chocou Mato Grosso reagiu com dureza às informações divulgadas nos últimos dias e afirma que há mentiras, distorções e julgamento antecipado tanto em relação ao processo criminal quanto à magistrada citada na denúncia levada ao Conselho Nacional de Justiça.
Em entrevista concedida ao Marreta Urgente, o advogado criminalista Thiago Ranniere, responsável pela defesa de Antenor Alberto de Matos Salomão, afirmou que a magistrada Maria das Graças Gomes da Costa não é investigada criminalmente, não responde a qualquer apuração penal e não há indício de suspeita criminal contra ela.
Ranniere também corrigiu uma das informações mais repetidas nas reportagens. Segundo ele, o afastamento não foi determinado pelo CNJ, mas sim pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, de forma cautelar e temporária, pelo prazo de 90 dias, podendo ser revisto a qualquer momento.
De acordo com a defesa, o Tribunal apontou suposto descumprimento de decisão judicial, algo que, segundo o advogado, jamais ocorreu, uma vez que a magistrada não havia sido intimada de qualquer obrigação a cumprir. Para Ranniere, causa “enorme estranheza” o fato de informações protegidas por segredo de Justiça estarem sendo divulgadas de forma seletiva e, segundo ele, de maneira mentirosa.
“O que se busca é enfraquecer a imagem pessoal da juíza e formar um convencimento público em torno do caso de feminicídio”, afirmou o advogado.
Laudo técnico descarta autoria, diz defesa
Sobre o feminicídio, a defesa é categórica. Segundo Thiago Ranniere, Antenor Alberto de Matos Salomão não é o executor. Ele afirma que isso foi demonstrado por meio de um parecer técnico pericial, juntado aos autos, que aponta diferença superior a 14 centímetros de altura entre o executor flagrado nas imagens e o acusado.
Após a juntada do laudo, a defesa requereu a realização de perícia técnica judicial oficial, com acompanhamento do juízo e do Ministério Público. O pedido, no entanto, vem sendo negado. Atualmente, a negativa é questionada em recurso no Superior Tribunal de Justiça.
Para o advogado, a investigação se precipitou ao colocar Antenor na cena do crime. “Era impossível ele estar lá”, sustenta.
Outras contradições apontadas pela defesa
Durante a entrevista, Ranniere também rebateu pontos específicos da denúncia. Segundo ele, Antenor nunca mancou, como consta em versões divulgadas. O que o acusado possui, comprovadamente, é uma disfunção no braço direito, condição que, segundo a defesa, o impossibilitaria de exercer a força necessária para efetuar disparos.
Outro ponto levantado diz respeito às imagens analisadas pela polícia. De acordo com a defesa, foi possível refazer todo o trajeto do executor até a casa da vítima, mas nenhuma imagem da saída do autor dos disparos foi encontrada.
“Ele simplesmente evaporou”, afirmou o advogado.
A defesa também questiona a narrativa de que a vítima não teria conflitos com ninguém. Segundo Ranniere, o ex-marido da vítima, Josemar, cumpriu pena por violência doméstica contra ela, fato que, segundo ele, foi ignorado nas versões apresentadas ao público.
“A sociedade já comprou um culpado”
Para a defesa, o ponto central do caso é que não há interesse real em descobrir o verdadeiro autor do crime, porque a opinião pública já foi conduzida a enxergar Antenor como culpado.
“A realização de uma perícia judicial que reconheça que Antenor não é o executor causaria um descrédito enorme, diante da exposição midiática que o caso tomou. Somente isso explica a resistência em autorizar a perícia”, afirmou Ranniere.
O advogado faz uma pergunta direta:
“O acusado está preso. Qual o problema de realizar a perícia com a participação dele?”
Por fim, Thiago Ranniere informou que a defesa protocolou pedido de suspeição contra a juíza responsável pelo processo do feminicídio, apontando 13 situações concretas que, segundo ele, demonstrariam parcialidade absoluta na condução do caso.
O Marreta Urgente segue acompanhando o caso.




