A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo vota, nesta terça-feira (27), o aumento do número de vagas para o curso de medicina em 30%, passando de 180 para 234.
Os estudantes da instituição estão protestando e alegam risco de precarização, além de afirmarem que a proposta do aumento de vagas foi elaborada de maneira irregular.
“Em 2023, em meio à crise institucional, Carlos Alberto Herrerias Campos, até então membro do Conselho Curador, afastou-se do cargo e assumiu como Reitor Geral da Faculdade. Como uma de suas primeiras medidas, ele assinou, sem debate prévio com o corpo discente e docente … em caráter de urgência, dando parecer favorável ao aumento do número de vagas”, cita trecho da manifestação do centro acadêmico Manoel de Abreu.
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“Não adianta “abrir a porta” e democratizar o acesso se, lá dentro, o ensino perde a qualidade. Quando você coloca 100 alunos onde caberiam 50, você está democratizando a vaga, mas não o conhecimento. Isso prejudica todo mundo. Especialmente em cursos práticos, o estudante vira espectador em vez de aprender ativamente. No fim, o risco é formar profissionais que têm o diploma, mas que sentem a falta de uma base mais sólida para enfrentar os desafios da carreira”, disse Melina Houlis, membro do conselho do Centro Acadêmico.
A CNN Brasil teve acesso ao documento que a instituição usou para defender o o aumento de alunos. A Santa Casa elenca nove itens para justificar a possibilidade, entre eles estão:
- Tradição de 60 anos da Faculdade na formação médica;
- Qualidade de ensino do curso de Medicina, constantemente comprovada pelos
indicadores de avaliações oficiais do MEC, ENADE, IDD e CPC; - Corpo docente qualificado, com 90% de titulação, e com ampla experiência
acadêmica e profissional; - Infraestrutura Hospitalar disponível, de alta qualidade
“A qualidade do curso depende diretamente da infraestrutura, e o que vemos hoje é um desbalanço. O aumento para 180 vagas ocorreu em 2021, com a turma 59. Cinco anos depois, a turma 63 ainda enfrenta falhas básicas, como a falta de microscópios suficientes nas aulas de histologia e a insuficiência de espaço no laboratório de morfologia”, complementa Melina.
Outro lado
Procurado pela reportagem, a instituição manifestou-se por meio de nota. “A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo informa que as questões relacionadas à possibilidade de ampliação do número de vagas do curso de Medicina já foram esclarecidas junto aos estudantes, professores e à comunidade acadêmica. O Ministério da Educação já se manifestou publicamente sobre a regularidade dos procedimentos adotados e sobre as condições acadêmicas e institucionais do curso de Medicina da Faculdade para eventual ampliação de vagas, conforme matéria jornalística publicada na imprensa nacional”, afirma a instituição.
A Santa Casa esclarece que a decisão precisa ser referendada. “Mesmo após eventual autorização ministerial, a implantação de novas vagas somente pode ocorrer após análise interna e deliberação do Colegiado Superior, instância máxima acadêmica, conforme o Regimento da Faculdade, não havendo qualquer decisão automática ou unilateral. A Faculdade reúne todas as condições exigidas pelos requisitos legais e regulatórios, com indicadores objetivos de excelência reconhecidos nacionalmente”, finaliza a Santa Casa.
A CNN Brasil também tentou entrar em contato com o novo diretor do curso, Tércio de Campos e com a vice-diretora, Rosane Lowenthal, mas não obteve retorno.
Fonte: Cnn Brasil




