Organizadores estudantis convocaram greves e protestos em todo os Estados Unidos nesta sexta-feira (30) para exigir a retirada de agentes federais de imigração do estado de Minnesota, após dois assassinatos de cidadãos americanos terem gerado indignação pública.
A convocação para uma greve geral ocorre após os protestos da última sexta-feira (23), quando milhares andaram pela cidade de Minneapolis sob o frio intenso, exigindo o fim da repressão à imigração promovida pelo presidente Donald Trump.
Os manifestantes afirmaram que querem intensificar a pressão mesmo depois de Trump ter dito que iria “reduzir um pouco a tensão” em Minnesota.
“Queremos que este seja um movimento mais contínuo, então, daqui para frente: mais greves, mais protestos”, declarou Brianna Jackson, membro da União de Estudantes Negros da Universidade de Minnesota, em um vídeo promovendo a greve.
Na quinta-feira (29), o czar da fronteira do país, Tom Homan, recém-empossado como líder da ofensiva de imigração de Trump em Minneapolis, disse que os agentes federais se concentrariam em operações direcionadas, deixando de lado as batidas em larga escala nas ruas.
Os eleitores destituíram os democratas da Casa Branca e reconduziram Trump ao poder em 2024, em parte devido à frustração com o aumento da imigração ilegal para os Estados Unidos.
Mas, após semanas de vídeos mostrando táticas agressivas de policiais fortemente armados e mascarados em Minneapolis, a aprovação da política de imigração de Trump caiu para o nível mais baixo de seu segundo mandato, segundo uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos.
A maioria dos entrevistados pela agência de notícias Reuters afirmou que a repressão foi longe demais.
Americanos mortos em confrontos
No sábado (24), agentes de imigração mataram a tiros Alex Pretti, de 37 anos, enfermeiro de terapia intensiva em um hospital para veteranos militares.
Muitas pessoas já estavam revoltadas com a morte a tiros de Renee Good, de 37 anos, mãe de três filhos, dentro de seu carro em 7 de janeiro.
Good e Pretti estavam monitorando os agentes de imigração, como parte de um movimento que permitiu que testemunhas registrassem os dois assassinatos em vídeos gravados com celulares.
Em um memorial no local onde Pretti foi morto, uma mulher depositou um buquê de flores e chorou silenciosamente na quinta-feira (29), dizendo que se sentiu motivada a protestar em sua memória.
“Não vou gastar absolutamente nenhum dinheiro amanhã”, declarou Stacy, que pediu para não ter seu sobrenome divulgado. “É a minha pequena forma de dar voz a quem não tem voz, como o Alex.”
No estado da Geórgia, no sul dos Estados Unidos, estudantes de 90 escolas de ensino médio, de Atlanta a Savannah, planejam sair das salas de aulas nesta sexta-feira (30).
“Estamos dizendo que não podemos continuar como se nada estivesse acontecendo enquanto o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) continuar aterrorizando nossas comunidades”, expressou Claudia Andrade, organizadora de direitos dos imigrantes do Partido pelo Socialismo e Libertação de Atlanta.
Na véspera dos protestos, a polícia de Washington, D.C., prendeu 54 manifestantes de diferentes religiões que estavam sentados no chão do Edifício de Escritórios do Senado Hart, segurando faixas com os dizeres “Faça justiça, ame a bondade, acabe com o ICE”.
Eles exigiam que o Senado dos Estados Unidos suspendesse o financiamento do Departamento de Segurança Interna, responsável pela supervisão do ICE.
Fonte: Cnn Brasil




