Caso Master: perícia atua para recuperar mensagens apagadas; entenda

🕒

PUBLICIDADE

Mensagens vazadas de Daniel Vorcaro pressionam STF, dizem especialistas

A PF (Polícia Federal) atua para recuperar mensagens apagadas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após o jornal O Globo apontar uma suposta troca de mensagens entre ele e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

As mensagens teriam sido enviadas na função de “visualização única”. Nesse caso, o conteúdo delas some após aberto e não pode ser recuperado por softwares especializados em quebra de senhas e extração de dados, segundo o perito em crimes digitais Wanderson Castilho explicou à CNN. Isso porque as mensagens ficam armazenadas no servidor da Meta, empresa proprietária do WhatsApp, quando são enviadas em modo de visualização única.

Já mensagens convencionais que foram excluídas podem ser recuperadas pelos softwares forenses.

O perito também comentou sobre uma técnica utilizada por investigados: tirar prints de conversas em bloco de notas e enviar como visualização única. Neste caso, embora a mensagem original não possa ser recuperada, o print pode ser encontrado no dispositivo, mesmo após ser apagado.

“Quando você tira um print, se torna uma foto, e eventualmente você apagando, a ferramenta tem possibilidade de recuperar esta foto apagada”, afirmou.

Questionado sobre a rastreabilidade das mensagens, Castilho foi categórico: “A rastreabilidade da mensagem é totalmente possível. A partir do momento que eu tenho equipamento, eu tenho ele desbloqueado, eu consigo saber exatamente para qual remetente e destinatário foi trocado essas mensagens, para qualquer tipo de anexo, se foi áudio, se foi foto e qual momento, qual horário, isso tudo, sim, é rastreado”.

No Brasil, apenas a PF, Polícia Civil e o Ministério Público têm autorização para utilizar softwares especializados em quebra de senhas e extração de dados, segundo o perito.

Os programas utilizados realizam tentativas sistemáticas para descobrir senhas ou exploram vulnerabilidades nos dispositivos.

Como funciona a quebra de segurança

O especialista explicou que existem basicamente duas formas de quebrar a segurança de um celular. Uma delas ocorre quando o celular está ligado e já foi colocado a senha e, em seguida, bloqueado. “Isso torna a identificação das senhas mais fáceis”, pontua o perito.

A segunda forma, mais complexa, ocorre quando o equipamento está desligado e precisa ser ligado novamente sem a inserção da senha.

Wanderson Castilho também esclareceu um ponto importante sobre a criptografia de mensagens. Embora aplicativos como WhatsApp garantam que as comunicações são criptografadas durante a transmissão, quando a mensagem chega ao dispositivo do destinatário, ela é descriptografada.

“Se eu tenho a possibilidade de encontrar a sua senha de alguma forma, alguma técnica, eu vou encontrar aquelas mensagens descriptografadas”, explica.

Entenda o caso

O ministro Alexandre de Moraes negou ter recebido mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro no dia em que o empresário foi preso, em novembro de 2025. A negativa ocorre após reportagem do jornal O Globo apontar uma suposta troca de mensagens entre os dois.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF, a Corte afirmou que uma análise técnica dos dados telemáticos do celular de Vorcaro não identificou mensagens associadas ao contato do ministro.

Segundo o comunicado, os registros examinados indicam que as mensagens de “visualização única” enviadas em 17 de novembro de 2025 não estavam vinculadas ao telefone de Moraes nos arquivos apreendidos pelos investigadores.

“Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”, diz a nota.

A Corte também afirmou que não poderia divulgar o nome do possível destinatário das mensagens por causa do sigilo determinado na investigação.

“Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo Ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa”, afirma o comunicado.

Após a divulgação da nota do STF, O Globo reafirmou as informações publicadas na reportagem original.

*Com informações de Fernanda Fonseca, da CNN Brasil

Fonte: Cnn Brasil