Tortura em abrigo na Bahia: local recebeu selo de proteção às mulheres

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Presidente da Casa das Mulheres, em Jequié, Elma Brito  • Reprodução/Redes Sociais

A associação da Casa das Mulheres, cuja a presidente Elma Brito foi presa suspeita de praticar tortura contra acolhidas na instituição voltada à proteção de vítimas de violência doméstica, foi reconhecida com Selo Lilás em junho de 2025.

A ação do Governo do Estado da Bahia certifica empresas públicas, privadas e entidades da sociedade civil, que desenvolvem ações concretas de promoção da equidade de gênero e de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Segundo a associação, o selo foi entregue em um evento que aconteceu no auditório Mestre Álvaro, no Centro de Operações e Inteligências (COI), em Salvador, no dia 17 de junho do ano passado.

A CNN Brasil entrou em contato com a Secretaria das Mulheres do Estado (SPM), mas não obteve retorno até a última publicação.

Entenda o caso

A presidente da Casa das Mulheres, em Jequié, Elma Brito, foi presa nesta segunda-feira (23), suspeita de praticar tortura contra acolhidas na instituição voltada à proteção de vítimas de violência doméstica. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Elas por Elas, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia, que investiga uma série de crimes no local.

Segundo as autoridades, a investigação teve início após a identificação de imagens que mostram agressões físicas e psicológicas contra mulheres abrigadas, incluindo uma adolescente de 17 anos. Os registros, feitos por câmeras de segurança instaladas na própria instituição, também levantaram suspeitas sobre a violação da intimidade das vítimas, já que equipamentos de monitoramento teriam sido posicionados em ambientes privados.

Além das denúncias de tortura, a apuração aponta indícios de irregularidades financeiras, como possível desvio de recursos públicos, práticas de estelionato e movimentações consideradas atípicas, o que também motivou a inclusão dos crimes de peculato e lavagem de capitais no inquérito.

A Justiça determinou o afastamento cautelar de toda a diretoria da entidade investigada e autorizou a nomeação de um interventor judicial para assumir temporariamente a administração da instituição. A decisão também prevê o acesso a documentos e dados financeiros da organização, além do encaminhamento das possíveis vítimas à rede de proteção social, com acompanhamento especializado.

A operação cumpre mandados de prisão temporária e de busca e apreensão e segue em andamento nesta segunda-feira (23). As diligências são conduzidas pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Jequié, com apoio de unidades da região sudoeste do estado, incluindo equipes de Vitória da Conquista, além de departamentos especializados da Polícia Civil.

CNN Brasil tenta localizar a defesa da investigada.

Fonte: Cnn Brasil