O soldado australiano mais condecorado, Ben Roberts-Smith, foi preso nesta terça-feira (7) e acusado de cinco crimes de guerra por mortes de civis desarmados durante missões no Afeganistão.
A Polícia Federal Australiana informou que o ex-membro das Forças de Defesa, de 47 anos, foi detido ao chegar ao Aeroporto de Sydney. Ele terá que responder a acusações referentes ao assassinato de cinco pessoas entre 2009 e 2012. Cada crime prevê pena máxima de prisão perpétua.
“Será alegado que as vítimas não participavam de hostilidades no momento de suas mortes e estavam sob controle de membros das Forças de Defesa da Austrália”, afirmou a comissária da AFP, Krissy Barrett, em coletiva de imprensa. Segundo ela, as vítimas foram mortas pelo próprio acusado ou por subordinados agindo sob suas ordens e em sua presença.
Roberts-Smith teve a fiança negada e deve passar por audiência na quarta-feira (8).
O ex-soldado foi considerado um herói nacional, premiado com a Cruz Vitória, entre outras condecorações, por suas ações durante seis missões no Afeganistão, entre 2006 e 2012.
Ele sempre negou irregularidades, algumas reveladas pela imprensa australiana a partir de 2018. Entre as acusações estão a morte a tiros de um adolescente afegão desarmado e o assassinato de um homem algemado após ser jogado de um penhasco.
Roberts-Smith tentou contestar as reportagens na Justiça, mas perdeu o processo de difamação mais caro da história da Austrália. Um juiz federal confirmou quatro das seis acusações de assassinato em 2023, e a Suprema Corte rejeitou apelação final em setembro de 2025.
Um relatório de 2020 apontou que integrantes do Regimento Especial de Ar da Austrália (SAS) mataram dezenas de prisioneiros desarmados durante a guerra no Afeganistão.
A investigação que levou à prisão de Roberts-Smith começou em 2021, conduzida pela polícia federal e pelo Escritório do Investigador Especial (OSI), criado para apurar crimes de guerra cometidos por militares australianos.
Ross Barnett, diretor de investigações do OSI, destacou que o processo é complexo, já que não é possível acessar os locais dos crimes no Afeganistão: “Não temos acesso às cenas, fotos, medições ou análise de projéteis e respingos de sangue — tudo o que normalmente é coletado em uma investigação”, disse.
A investigação conjunta da OSI e AFP já apurou 53 casos de crimes de guerra envolvendo militares australianos, sendo 10 ainda em andamento. Outro ex-soldado das forças especiais deve enfrentar julgamento por assassinato em fevereiro.
A Anistia Internacional classificou a prisão de Roberts-Smith como um passo importante para a responsabilização internacional. “As autoridades australianas devem garantir que todas as alegações sejam investigadas e, quando cabível, levadas à Justiça”, disse Zaki Haidari, da Anistia Internacional Austrália.
Imagens da polícia mostram Roberts-Smith sendo escoltado ao desembarcar em Sydney e levado a um carro da polícia. Ele havia viajado de Brisbane com a namorada e duas filhas adolescentes.
O advogado que o representou no processo de difamação não comentou o caso.
Fonte: Cnn Brasil




