Israel aprova secretamente mais de 30 novos assentamentos na Cisjordânia

🕒

PUBLICIDADE

Bandeira de Israel em assentamento na Cisjordânia ocupada  • 16/08/2020 REUTERS/Ronen Zvulun

O gabinete de segurança de Israel aprovou secretamente a legalização de mais de 30 novos assentamentos e fazendas na Cisjordânia, segundo três fontes israelenses.

Diferente de decisões semelhantes no passado, a aprovação não foi anunciada publicamente pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, e pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que não responderam ao pedido de comentário da CNN.

Duas fontes disseram à CNN que a aprovação foi mantida em sigilo para evitar críticas internacionais em meio ao aumento da violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia desde o início da guerra com o Irã.

A autorização faz parte de uma iniciativa contínua do governo israelense, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para expandir os assentamentos e consolidar o controle de Israel sobre o território.

Os palestinos reivindicam um Estado nos territórios conquistados por Israel na guerra de 1967, incluindo a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.

A pressão para legalizar os postos avançados foi realizada em desafio ao direito internacional, que considera todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada ilegais.

Os postos avançados são considerados ilegais tanto pela lei israelense quanto pela lei internacional, mas os colonos conseguiram estabelecer dezenas de postos avançados não autorizados nos últimos anos e, eventualmente, obtiveram a aprovação do governo israelense.

A mídia israelense informou que a decisão também inclui a construção de infraestrutura de eletricidade e água para os postos avançados.

Segundo o Observatório de Assentamentos da organização israelense Peace Now, em 2025 foram estabelecidos um número recorde de 86 novos postos avançados.

Nos últimos anos, alguns dos colonos nesses postos avançados forçaram a expulsão e o deslocamento de comunidades palestinas em decorrência da violência e do assédio praticados pelos colonos.

A Autoridade Palestina condenou a medida, classificando-a como uma escalada perigosa e uma violação flagrante do direito internacional e das resoluções da ONU. 

Uma declaração do gabinete do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que a decisão representa mais um passo de Israel para implementar planos de anexação, expansionismo e deslocamento, apelando à comunidade internacional, especialmente aos EUA, para que intervenha imediatamente.

A decisão de legalizar os postos avançados, tomada em uma reunião do gabinete de segurança em 25 de março, ocorre em meio a um aumento da violência de colonos contra palestinos desde o início da guerra com o Irã.

Segundo a ONG israelense de direitos humanos Yesh Din, houve 305 incidentes de violência por parte de colonos entre 28 de fevereiro e 29 de março, com uma média de mais de 10 incidentes por dia, incluindo agressões, danos à propriedade e apropriação de terras.

Forças Armadas sob forte pressão

No mês passado, as FDI (Forças de Defesa de Israel) desviaram um batalhão de combate da fronteira norte com o Líbano para a Cisjordânia, em meio ao aumento da violência dos colonos durante a guerra.

Durante a reunião de gabinete para discutir os novos postos avançados, o chefe do Estado-Maior das FDI, Eyal Zamir, alertou os ministros do governo de que as Forças Armadas estão sob forte pressão devido à escassez de pessoal e às crescentes demandas operacionais, inclusive na Cisjordânia, segundo duas fontes israelenses.

Na mesma reunião, o gabinete de segurança de Netanyahu também apoiou uma diretiva que visa os “crimes nacionalistas” judaicos na Cisjordânia, disseram duas autoridades israelenses à CNN.

A medida, divulgada inicialmente pela Euronews, instrui as FDI e a polícia a reprimirem a violência dos colonos, reforça a presença militar em áreas de conflito e estabelece uma unidade dedicada dentro do Ministério da Defesa para combater o fenômeno da “Juventude das Colinas”, um termo que descreve jovens judeus extremistas, religiosos e nacionalistas, que atuam na Cisjordânia.

Uma fonte afirmou que a diretiva foi “emitida pelo primeiro-ministro após uma série de discussões internas iniciais e, em seguida, ratificada pelo gabinete”. O gabinete do primeiro-ministro israelense não respondeu a um pedido de comentário.

O movimento Paz Agora denunciou a decisão do governo.

“Agora está claro para todos – e as FDI continuam enfatizando isso – que o estabelecimento de assentamentos prejudica a segurança, impõe um fardo intolerável ao exército e mina a possibilidade de resolver o conflito e alcançar qualquer forma de segurança ou paz futura”, comentou.

A questão da violência dos colonos e da expansão dos assentamentos na Cisjordânia gerou considerável atenção e debate na mídia israelense no final de março, após uma reportagem da CNN na qual soldados israelenses ecoaram a ideologia dos colonos, falaram em vingança após atacarem palestinos e detiveram e agrediram uma equipe da CNN na Cisjordânia.

O general de mais alta patente do Exército israelense agiu rapidamente, suspendendo todas as atividades operacionais de um batalhão da reserva envolvido na detenção da equipe da CNN na Cisjordânia – incluindo a expulsão de um soldado do serviço militar.

Fonte: Cnn Brasil