
Para 20% da população de Mato Grosso, o crime organizado é a principal causa de preocupação no estado, à frente de questões como saúde pública (14%), impostos (13%), violência em geral (11%) e a corrupção (8%). Os dados são do instituto MT Dados, que entrevistou 1.500 mato-grossenses entre os dias 12 e 17 de maio, em sete regiões do estado.
Segundo o levantamento, a preocupação fica ainda maior na região de fronteira, próximo a Cáceres (a 225 km de Cuiabá), onde 24% dos moradores admitiram temer as facções criminosas. Como já publicado pelo , 2025 foi o ano mais violento no município, com 54 homicídios – sendo grande parte deles provocado pela briga pelo poder.
MT Dados/IA
O delegado Higo Rafael, titular da Delegacia Regional da cidade explicou que, por conta da proximidade com a fronteira com a Bolívia, Cáceres é uma das cidades-rota para o tráfico internacional de drogas.
No Nortão do estado, em cidades como Sinop e Sorriso, o temor da população também é alto. Cerca de 23% dos entrevistados colocaram o crime organizado como principal preocupação. Facções também são as mais temidas em Cuiabá e Várzea Grande (20%), Rondonópolis (19%) e no Araguaia (18%).
Já no Noroeste de Mato Grosso (Juína) e no Médio-Norte (Tangará da Serra), a saúde pública figurou como a maior preocupação, com o crime organizado ficando em segundo lugar.
Em entrevista ao , a criminóloga Vládia Soares diz que o temor às organizações criminosas não é por acaso e que Mato Grosso vive hoje uma combinação de fatores que favorece a expansão das organizações criminosas, como posição estratégica na fronteira com a Bolívia; rotas de tráfico ligando Norte, Centro-Oeste e Sudeste; crescimento econômico acelerado, com cidades médias crescendo rapidamente; circulação bilionária do agronegócio; e a própria guerra de facções pelo poder.
Professora de Direito e de mestrado na Universidade Federal de Mato Grosso e membro da Liga Acadêmica de Criminologia e Execução Penal (Lacep) da UFMT, Vládia explica que, nos últimos anos, as facções deixaram de atuar apenas no tráfico de drogas e passaram a controlar atividades econômicas, bairros e até serviços informais. “Em maio de 2026, por exemplo, a Polícia Federal investigou um grupo criminoso infiltrado em associação de moradores em Mato Grosso, cobrando taxas e explorando serviços essenciais como água e energia”, destaca.
Arquivo pessoal
A criminóloga Vládia Soares
“Há também um aspecto psicológico e social importante, que é quando a população começa a ouvir constantemente notícias sobre domínio de bairros, cobrança de taxas, lavagem de dinheiro, infiltração em comércio, ataques armados, facções dentro de presídios e execuções ligadas à disputa territorial. O medo coletivo aumenta mesmo entre pessoas que nunca foram vítimas diretas”, salienta.
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Fonte: RD News




