Faissal seria “articulador estratégico” de desembargador, aponta relatório da PF | Rdnews

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deputado faissal e desembargador dirceu

Relatório da Polícia Federal obtido pelo , aponta que o deputado estadual Faissal Calil (PL) seria articulador estratégico para o direcionamento de uma ação possessória ao desembargador afastado Dirceu dos Santos. Os dois foram alvos da Operação Gemini, deflagrada pela PF nessa segunda-feira (08). A ação mira crimes relacionados à suposta venda de sentenças.

Reprodução

 

Segundo a representação, a apuração começou após o presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Gleba Santo Expedito, em Cláudia (620 km de Cuiabá) encaminhar uma denúncia à Procuradoria da República em Rondonópolis (a 212 km da Capital). A notícia falava sobre um suposto pagamento de R$ 1 milhão para favorecer uma empresa madeireira em uma ação de reintegração de posse.

Na primeira instância, a ação foi vencida pelas famílias assentadas na região. No entanto, após sucessivos recursos e movimentações processuais, o processo chegou à relatoria de Dirceu dos Santos, que, em 2º grau, proferiu decisão favorável à empresa.

A autoridade policial sustenta que a distribuição do recurso teria ocorrido em descompasso com as regras de prevenção e de competência interna do Tribunal de Justiça, especialmente porque os recursos anteriores relacionados ao mesmo conflito agrário vinham sendo distribuídos às Câmaras de Direito Público e Coletivo, diz trecho do relatório.

Conforme destacado pela Polícia Federal, Faissal, ex-assessor do gabinete de Dirceu e posteriormente advogado habilitado nos autos da ação, teria atuado como articulador estratégico para o direcionamento do feito ao magistrado investigado.

Outro lado

Após ter mandados de busca e apreensão cumpridos em sua residência nessa segunda, o deputado estadual afirmou ter recebido a PF com “muita tranquilidade” e destacou que está à disposição da justiça para esclarecer todas as dúvidas relacionadas a ele. Em entrevista rápida ao sair de sua casa nesta manhã, Faissal destacou também que precisa se inteirar mais sobre o assunto.

“Não tem nada a ver com o meu mandato de deputado, é uma decisão vinda do STJ [Supremo Tribunal de Justiça] e nós não temos ainda ciência do teor dessa decisão. Eu estou aqui pronto para esclarecer todos os fatos. Quem não deve, não teme”, declarou Calil.

De acordo com Faissal, não há nenhuma transação econômica entre ele e o desembargador Dirceu dos Santos, também apontado como alvo. Calil ressaltou que não tem mais nenhum tipo de contato com o magistrado.

“Desde que eu virei deputado e saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o meu contato. Simplesmente me afastei. Pode investigar o que for, eu estou muito tranquilo, recebi a polícia com muita tranquilidade”, afirmou.

O caso

A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda (8), a operação Gemini para apurar crimes relacionados à suposta venda de sentenças. Entre os alvos estariam o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o desembargador Dirceu dos Santos, atualmente afastado do cargo.

Durante o cumprimento de mandados, foram apreendidos joias, uma arma de fogo, munições e um relógio Rolex. Segundo apurou o , 12 pessoas são alvos de ordens de busca e apreensão em Mato Grosso e em São Paulo.

Além das buscas, a Justiça determinou o afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. A apuração mira a atuação de pessoas suspeitas de integrar um esquema voltado à comercialização de decisões judiciais e à ocultação de recursos de origem supostamente ilícita.

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Fonte: RD News