Central do crime: o que são “jammers”, usados em celulares roubados

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Imóvel armazenava 182 celulares e 42 alianças supostamente provenientes de roubos e furtos  • Divulgação/Anatel

Os “jammers” encontrados pela Polícia Civil de São Paulo em um apartamento que funcionava como uma espécie de “central do crime” de receptação de celulares roubados, nesta quarta-feira (10), na capital paulista, são um tipo de bloqueador de sinais de comunicação. 

Os dispositivos criam uma “interferência” que impede a conexão entre aparelhos e torres ou roteadores, o que bloqueia sinais de celular, Wi-Fi, Bluetooth e GPS. 

As “ferramentas” emitem sinais mais fortes nas mesmas faixas de frequência dos dispositivos-alvo, “abafando a comunicação real. O resultado é a perda imediata de sinal e de conectividade. De acordo com os policiais, os equipamentos encontrados eram tão potentes que chegaram a afetar a conexão de internet de todo o prédio.

Os “jammers” são usados ilegamente por criminosos para neutralizar diversos tipos de rastreadores e bloquear celulares de vítimas.

Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o uso de bloqueadores de sinal por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de direito privado, ainda que sejam empresas públicas ou sociedades de economia mista e suas subsidiárias, é estritamente proibido pela legislação brasileira.

A instalação ou operação desses dispositivos sem anuência da Anatel ou em áreas diferentes das permitidas constitui atividade clandestina de telecomunicações, conforme previsto na Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº 9.472/1997). A infração é considerada crime, sujeita à pena de dois a quatro anos de detenção.

Entenda a operação

Polícia Civil de São Paulo encontrou um apartamento utilizado como uma espécie de “central” de receptação de celulares roubados durante a Operação Contrafeixe, deflagrada nesta quarta-feira (10) na capital paulista.

Segundo delegados do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), o imóvel armazenava 182 celulares e 42 alianças supostamente provenientes de roubos e furtos. No local, os investigadores também apreenderam quatro bloqueadores de sinal, conhecidos como “jammers”, utilizados para dificultar o rastreamento dos aparelhos.

De acordo com os policiais, os equipamentos eram tão potentes que chegaram a afetar a conexão de internet de todo o prédio, gerando reclamações frequentes de moradores e acionamentos de prestadores de serviço.

A operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes de uma rede responsável por receber, catalogar e comercializar celulares roubados por criminosos que atuam na capital paulista, incluindo grupos conhecidos pela prática do chamado “quebra-vidro”, modalidade em que ladrões quebram os vidros de veículos para subtrair objetos das vítimas.

Segundo os investigadores, os aparelhos apreendidos passavam por um processo de triagem e organização. Os celulares eram etiquetados e armazenados em condições destinadas a dificultar a localização pelas autoridades.

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A operação resultou na prisão de uma pessoa. Outras oito seguem sob investigação.

Produtos roubados

Durante a coletiva de imprensa, representantes do Deic afirmaram que a estrutura criminosa movimentava milhões de reais por mês e funcionava como um importante ponto de escoamento de produtos roubados. O valor estimado dos bens apreendidos nesta quarta-feira varia entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

De acordo com os investigadores, celulares desbloqueados possuíam maior valor no mercado clandestino porque permitiam acesso a aplicativos bancários e financeiros das vítimas, possibilitando transferências e fraudes. Já os aparelhos bloqueados continuavam sendo revendidos para aproveitamento de peças ou encaminhados para outros mercados.

Os delegados também afirmaram que os receptadores não atuavam apenas com celulares. A organização recebia diversos objetos roubados nas ruas, incluindo alianças e outros pertences levados de vítimas durante assaltos.

Uma loja física suspeita de receber aparelhos para desmontagem e comercialização de peças também foi alvo de buscas.

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Segundo o Deic, a investigação faz parte de uma estratégia voltada a enfraquecer a cadeia econômica que sustenta roubos e furtos de celulares na capital. As diligências continuam para identificar outros envolvidos e ampliar o mapeamento da rede de receptação.

Os investigados podem responder por crimes como associação criminosa, roubo, furto, receptação e furto mediante fraude eletrônica.

Fonte: Cnn Brasil