Garagem fecha durante a noite e desaparece com veículos; dívida com clientes chega a R$600 mil | RepórterMT

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VANESSA MORENO

DO REPÓRTERMT

A Polícia Civil instaurou um inquérito contra a garagem Allan Car, localizada na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá, que fechou as portas na calada da noite e deixou de pagar por veículos que havia comprado, além de não entregar documentos de carros financiados, causando prejuízos a diversos clientes.

Somente neste ano, o estabelecimento já acumula 19 processos na Justiça em razão dos supostos calotes, com cobranças de cerca de R$600 mil. Além disso, mais de 10 vítimas já procuraram a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), fato que motivou o início das investigações contra a empresa.

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De acordo com o delegado da Decon, Rogério Ferreira, a loja foi fechada na última semana e todos os veículos foram retirados do local. A autoridade policial pede que eventuais vítimas da Allan Car procurem a polícia para formalizar denúncia.

Em levantamento realizado pelo RepórterMT, foi identificado que um dos clientes que acionou a Justiça contra o estabelecimento foi procurado por uma funcionária da Allan Car após anunciar a venda de um carro em abril deste ano.

Após a negociação, o cliente entregou o veículo à garagem para intermediação da venda e chegou a assinar um documento de Autorização para Transferência de Propriedade do Veículo (ATPV), com reconhecimento de firma, em maio.

Posteriormente, passou a cobrar informações sobre a conclusão da venda e recebeu diversas justificativas para o atraso.

No último dia 6, foi informado de que a empresa teria encerrado as atividades ou declarado falência.

O veículo não foi devolvido, nenhum valor foi pago ao proprietário e não foi identificado qualquer comprador nem documentos que comprovassem eventual venda.

O prejuízo, nesse caso, foi de R$ 18 mil.

Em situação semelhante, um cliente anunciou a venda de um carro por R$ 45,5 mil. A Allan Car ofereceu os serviços de intermediação, afirmando que o veículo seria vendido em até 30 dias e que o valor seria repassado em cinco dias.

Após a venda, o cliente recebeu apenas R$ 25 mil, depois de muita insistência. Contudo, o veículo não foi transferido para o nome do novo proprietário e agora a vítima está recebendo multas de trânsito em seu nome, correndo o risco de comprometer sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Em abril, uma mulher comprou uma moto na Allan Car por R$ 6 mil, mas houve atraso na transferência do veículo. Ela foi parada em uma blitz e teve a motocicleta apreendida por falta de licenciamento e por uma restrição judicial envolvendo o antigo proprietário.

Outra cliente teve seu veículo Creta 2022 vendido pela Allan Car por R$ 108.900,00. Desse valor, ela teria que receber R$ 98,5 mil, mas alega não ter recebido a quantia.

Além desses casos, o estabelecimento coleciona ações judiciais relacionadas a defeitos em veículos comercializados, como bomba de óleo do motor comprometida, problemas no sistema multimídia, além de cobranças indevidas de multas, entre outras reclamações.

Outro lado

Em nota publicada nas redes sociais, a Allan Car afirmou que, após investimentos em mentorias de elevado custo, a empresa passou por um período de expansão.

Com base nas orientações recebidas, a loja mudou para um ponto comercial maior, investiu na estrutura física, ampliou os custos operacionais e contratou novos funcionários para atender ao crescimento projetado.

Contudo, segundo a empresa, diversos carros vendidos apresentaram defeitos, causando prejuízos no pós-venda e comprometendo o fluxo de caixa.

Na tentativa de manter as atividades, a loja contraiu empréstimos com agiotas, o que teria agravado a crise financeira.

Ainda conforme a Allan Car, agiotas foram até o estabelecimento, coagiram funcionários para receber valores devidos e levaram computadores, impressoras, celulares, geladeiras, contratos, documentos e diversos veículos.

Em seguida, o imóvel onde a empresa funcionava teria sido retomado pelo proprietário, segundo a versão apresentada pela Allan Car.

Na nota, a empresa informou que seu setor jurídico está adotando medidas contra os credores que estariam impedindo o exercício das atividades.

Nos comentários da publicação, consumidores que se dizem lesados cobram uma solução para os prejuízos causados.

A Polícia Civil orienta que vítimas da Allan Car procurem a Decon, localizada na Rua General Otávio Neves, nº 69, bairro Duque de Caxias I, em Cuiabá. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Também é possível entrar em contato pelo e-mail [[email protected]](mailto:[email protected]).



Fonte: Repórter MT