CNJ adia análise de reclamações contra Dirceu e casos serão retomados em agosto | Rdnews

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Desembargador Dirceu dos Santos

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adiou a análise dos procedimentos que podem resultar na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos. O pedido foi feito, nesta terça-feira (23), pelo relator dos procedimentos, ministro Mauro Campbell Marques, após a sustentação oral da defesa do magistrado. Com isso, a análise do caso deverá ser retomada em agosto, na volta do recesso do CNJ.

Reprodução

Dirceu foi afastado em março deste ano, após ser alvo de uma ação da Polícia Federal. Na semana passada, o desembargador ingressou com um pedido de aposentadoria junto ao TJMT, deferida pelo Tribunal no dia 17 de junho. Na sessão do CNJ, a defesa pediu o arquivamento dos procedimentos por entender que, com a aposentadoria de Dirceu, há a chamada “perda do objeto”.

O magistrado é alvo de dois procedimentos no CNJ, cuja análise em plenário foi iniciada nesta terça. O primeiro deles trata de suspeitas da prática de nepotismo cruzado, venda de decisões judiciais e evolução patrimonial incompatível com os seus rendimentos. Já o segundo envolve supostas irregularidades na conduta funcional do magistrado e a manipulação do quórum no TJMT.

Além de tentar o arquivamento dos procedimentos por conta da aposentadoria, a defesa de Dirceu também questionou o mérito das reclamações.

A respeito do suposto nepotismo cruzado, em que Dirceu é acusado de empregar o filho de um desembargador em seu gabinete, o advogado Lucas Cavalcante Gondim alegou que não há a reciprocidade que caracteriza a suposta infração. “Não há nos autos a reciprocidade, ou seja, algum parente de Dirceu no gabinete. O servidor citado é efetivo, inclusive”, disse.

Já sobre a suposta venda de sentença, Gondim pontuou que a suspeita de que o magistrado teria comercializado um efeito suspensivo em uma apelação não se sustentaria porque no mérito do recurso o magistrado teria votado desfavoravelmente a quem teria comprado a decisão. Por fim, a alegada evolução patrimonial incompatível já foi analisada e arquivada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). “Não há fato novo em relação o que foi analisado na sindicância”, pontuou.

A outra reclamação foi rebatida pelo advogado Lucas Tavares Mourão. Ele defendeu a anulação do procedimento porque Dirceu não teve a oportunidade de apresentar a defesa. Além disso, ele ressaltou que não há uma conexão entre as reclamações. “A única coisa em comum é a figura do magistrado, mas isso não é suficiente para gerar uma conexão”, afirmou.

O caso

Dirceu foi afastado do cargo em março, quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal e do próprio CNJ que investigava a suposta comercialização de decisões judiciais.

Na ocasião, o CNJ informou ter identificado indícios de que o magistrado teria proferido decisões mediante possível recebimento de vantagens indevidas, com a intermediação de terceiros, empresários e advogados.

A partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal, os investigadores apontaram uma evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos formalmente declarados pelo desembargador. Segundo o CNJ, ele movimentou R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos.

No início deste mês, Dirceu foi alvo de outra ação, a Operação Gemini para apurar crimes relacionados à suposta venda de sentenças. A ação teve como alvos 12 pessoas e revelou uma movimentação paralela que inclui o trânsito de valores em espécie que superam os R$ 3,2 milhões em depósitos e cheques.

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Fonte: RD News