
O histórico de violência doméstica de Joel Laureano Ferreira, de 46 anos, repetiu seu desfecho mais trágico na última segunda-feira. Preso em flagrante sob a acusação de assassinar a tiros a atual companheira, a professora municipal Adélia Cristina de Oliveira Batista, de 49 anos, o criminoso já acumulava antecedentes graves de agressão e tortura contra mulheres.
Em 2024, ele havia sido detido após tentar matar uma namorada anterior. Na ocasião, em meio a uma discussão, ele a enforcou, desferiu diversos socos no rosto e tentou fazê-la engolir o próprio aparelho celular. A vítima deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com severos hematomas e marcas de estrangulamento no pescoço.
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Embora Joel tenha sido preso em flagrante naquela época — ocasião em que a polícia também apreendeu duas armas ilegais em sua residência —, ele obteve o benefício da liberdade provisória sob medidas cautelares. Inicialmente monitorado por tornozeleira eletrônica, o agressor teve o equipamento retirado pela Justiça sob a justificativa de “bom comportamento”.
O Crime e a Captura
A negligência no monitoramento custou a vida de Adélia Cristina, educadora querida que lecionava há quase 33 anos na rede pública de Castanheira (MT). O corpo da professora foi localizado em uma represa da região. Após o crime, Joel fugiu para uma área de mata fechada, onde permaneceu escondido até ser localizado e capturado pelas forças policiais. As investigações continuam em andamento para apurar todos os detalhes do feminicídio.
Contexto Regional: A Repetição de um Padrão Alucinante em MT
O assassinato da professora Adélia não é um fato isolado, mas reflete uma crise crônica de segurança pública no estado. Dados dos últimos meses de 2026 reforçam como o histórico de agressões anteriores e falhas no sistema protetivo pavimentam o caminho para o feminicídio:
Padrão de Convivência e Impunidade: Um levantamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT) apontou que a totalidade dos feminicídios registrados no estado envolve agressores com forte vínculo afetivo e histórico prévio de violência doméstica.
O Perigo das Pequenas Cidades: Castanheira repete uma estatística alarmante evidenciada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Municípios com menos de 100 mil habitantes concentram metade das mortes de mulheres por razões de gênero no país, justamente pela escassez de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) e redes de acolhimento.
Falha no Monitoramento: O caso reacende o debate sobre a eficácia das medidas cautelares. Conforme dados do Poder Judiciário de Mato Grosso, o descumprimento de decisões judiciais e a retirada precoce de rastreamentos têm relação direta com mais de um terço dos desfechos letais contra mulheres no estado.
Canais de Denúncia: Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação de violência doméstica, denuncie. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e confidencial, em todo o território nacional.
Fonte: Click F5




