
A deflagração da Operação Fugazi pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15) alterou a dinâmica política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O presidente da Casa, Max Russi (Podemos), afirmou que a investigação federal sobre fraudes em empréstimos consignados confere robustez jurídica e política ao requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no âmbito estadual.
Até então, a proposta contava com seis assinaturas e enfrentava forte resistência dos parlamentares governistas ligados ao governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos). Havia o temor de que a comissão ganhasse contornos puramente eleitorais devido ao calendário político de 2026. “Com a operação da Polícia Federal e a suspeita de envolvimento de agentes públicos no Estado, o debate ganha outra força. A Assembleia tem por obrigação aprofundar essa investigação”, declarou Russi.
O esquema sob a mira da PF
A Operação Fugazi apura a atuação de um grupo econômico suspeito de lesar servidores públicos, aposentados e pensionistas por meio de uma espécie de “armadilha financeira”. O mecanismo consistia em ofertar cartões de crédito consignado que, na prática, operavam como empréstimos com juros abusivos. As regras contratuais criavam um endividamento em efeito cascata, tornando a quitação da dívida praticamente inviável e provocando o aumento contínuo do saldo devedor.
A Justiça Federal em Mato Grosso expediu 13 mandados de busca e apreensão cumpridos nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, além de determinar o bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de bens dos investigados.
Um histórico de embates jurídicos e sindicais
A crise dos consignados em Mato Grosso não é um fato isolado e vem se desenhando como um dos temas mais sensíveis da política local nos últimos meses. A insatisfação dos servidores públicos estaduais escalou após uma longa batalha jurídica que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). No final do ano passado, o STF anulou um decreto da ALMT que tentava suspender temporariamente a cobrança dos cartões de crédito consignado e benefícios, retomando os descontos em folha e ampliando o descontentamento do funcionalismo.
A pressão popular e sindical aumentou de forma expressiva desde então. No início de julho de 2026, sindicatos de servidores públicos locais lançaram um abaixo-assinado formal exigindo celeridade na instalação da CPI na Assembleia, apontando que os descontos nos contracheques estavam corroendo a renda das categorias. Paralelamente, a própria ALMT abriu recentemente um novo processo de credenciamento para instituições financeiras interessadas em operar o crédito consignado dos servidores ativos e inativos, tentando estabelecer regras de fiscalização mais rígidas sob a nova Lei de Licitações.
Para a oposição na Assembleia, a ação da Polícia Federal chancela as denúncias acumuladas pelas entidades de classe e zera o argumento da base governista de que a investigação parlamentar seria apenas uma plataforma eleitoral. Max Russi reiterou que o Legislativo mato-grossense aguarda o compartilhamento de informações oficiais sobre os alvos da PF para consolidar o escopo da CPI e formalizar a coleta das assinaturas restantes.
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Fonte: Click F5




