
O deputado estadual Júlio Campos (UB) manifestou apoio à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para investigar irregularidades em empréstimos consignados. A movimentação do parlamentar ocorre após a Polícia Federal deflagrar a Operação Fugazi, que visa desarticular um grupo econômico suspeito de fraudar o sistema financeiro e prejudicar servidores públicos e aposentados. Ao ser questionado sobre o apoio ao requerimento, que já vinha sendo discutido na Casa, o deputado demonstrou prontidão para formalizar o pedido de investigação.
“Se eu for procurado, eu assino na hora. Eu nunca neguei a assinar a CPI. Assinei todas as CPI que foram pedidas. Só foi instalada uma, lamentavelmente, que é da saúde, né? Mas eu estou disposto a assinar”, afirmou Júlio Campos, em coletiva nesta quarta-feira (14).
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A preocupação de Campos concentra-se no impacto financeiro causado aos servidores estaduais, que seriam as principais vítimas do esquema investigado. Conforme a PF, empresas ofereciam cartões de crédito consignados que, na prática, funcionavam como empréstimos com juros abusivos e mecanismos que impediam a quitação da dívida. Sobre a situação desses trabalhadores, o parlamentar criticou duramente a conduta de setores do sistema bancário envolvidos nas supostas irregularidades.
“O servidor público de Mato Grosso está sendo muito prejudicado com essa patifaria, com essa roubalheira e essa corrupção que o sistema bancário brasileiro, em especial alguns bancos mais visados, estão fazendo contra o servidor público, deixando o servidor endividado, empobrecido e até passando necessidade”, pontuou o deputado.
O deputado foi questionado se a demora da Assembleia em agir, diante da execução de mandados de busca e apreensão, poderia ser considerada um ponto negativo para a imagem do Legislativo. Campos, no entanto, defendeu que a atuação da Polícia Federal agora fornece a base necessária para que a Casa tome uma posição institucional definitiva.
“Não, não é vexatório porque, por enquanto, havia só boatos, mas agora é concreto, a Polícia Federal já está envolvida com a ordem do Ministério Público e com a ordem da Justiça Federal. Agora a Assembleia não vai se portar. Pelo menos na minha parte, um membro da mesa diretora se isso ocorreu, acho que a Assembleia tem que ter posição definida”, explicou.
A investigação policial aponta que as irregularidades já eram alvo de representações de sindicatos desde, pelo menos, 2025, envolvendo o grupo econômico liderado pela empresa Capital Consig. As denúncias relatavam descontos contínuos em folha e a ausência de cartões físicos, o que mascarava a natureza do débito.
Refletindo sobre a longevidade dessas suspeitas e a falta de punições anteriores, Júlio Campos lamentou o histórico de omissão e expressou esperança de que o desdobramento atual traga resultados efetivos.
“É muito ruim, né? Toda e qualquer denúncia, essa denúncia já vem há algum tempo. Desde o ano passado, ano retrasado, isso já vinha ocorrendo. Mas, até hoje, nada aconteceu. Quem sabe agora possa realmente acontecer alguma coisa e punir os responsáveis, seja quem for”, concluiu.
A Operação Fugazi cumpriu 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, além de determinar o bloqueio de bens e contas bancárias dos investigados. Além da Capital Consig, outras seis empresas e seis empresários são alvos da ação, que investiga crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro.
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