
EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, hoje (29), a Operação Replay contra uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, que, segundo as investigações, continuava movimentando milhões de reais e mantendo uma estrutura financeira ativa mesmo após operações anteriores.
Ao todo, são cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, além de buscas, quebras de sigilo e medidas patrimoniais contra 14 integrantes e colaboradores do grupo. Os bens atingidos pelas medidas judiciais somam cerca de R$ 17,3 milhões, enquanto a Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 15,3 milhões em ativos financeiros.
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As investigações apontam que o grupo utilizava contas bancárias de terceiros, operadores externos e pessoas sem capacidade financeira compatível para ocultar patrimônio e movimentar recursos. A organização também mantinha um núcleo financeiro próprio e, conforme a Polícia Civil, uma de suas lideranças continuava exercendo o comando financeiro e disciplinar mesmo presa em uma unidade de segurança máxima do sistema penitenciário estadual.
A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e ocorre em Cuiabá, Várzea Grande, Balneário Camboriú (SC), Itapema (SC) e Rio de Janeiro (RJ). A ação é um desdobramento das operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra e foi baseada na análise de dados telemáticos que, segundo a investigação, indicaram a continuidade das atividades do grupo.
A decisão judicial autorizou as prisões preventivas, buscas pessoais, domiciliares e veiculares, quebra de sigilo de dispositivos eletrônicos, compartilhamento de provas, além do sequestro e indisponibilidade de imóveis, veículos e do bloqueio de ativos financeiros. Segundo a Polícia Civil, as medidas buscam interromper as atividades do grupo, preservar provas e impedir a ocultação ou transferência de patrimônio.
Entre os bens alcançados pelas medidas judiciais estão um apartamento em Itapema avaliado em R$ 3 milhões, um apartamento em Balneário Camboriú estimado em R$ 6 milhões, uma casa em condomínio na região de Camboriú avaliada em R$ 6 milhões, uma residência de alto padrão em Cuiabá estimada em R$ 1,5 milhão, além de três terrenos avaliados em aproximadamente R$ 180 mil. Os veículos somam cerca de R$ 607,6 mil.
Outro ponto destacado pela investigação é que uma das lideranças da organização continuava comandando a movimentação financeira e disciplinar da facção mesmo presa. As comunicações analisadas mostram cobranças de arrecadação, determinações de repasses, orientações sobre planilhas financeiras e distribuição de recursos entre diferentes núcleos do grupo.
A Polícia Civil também identificou que o mesmo chip telefônico atribuído à liderança foi utilizado em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026, estratégia que, segundo a investigação, buscava dificultar o controle das comunicações dentro do sistema prisional.
Em uma das planilhas apreendidas, os investigadores encontraram referências a R$ 14,093 milhões em valores “congelados” e R$ 1,231 milhão relacionados ao período analisado. A soma desses valores, de R$ 15,324 milhões, serviu de parâmetro para o pedido de bloqueio financeiro.
O nome da operação, Replay, faz referência à repetição das condutas criminosas e à reorganização do grupo após as operações anteriores.
Fonte: Repórter MT




