Caso Renato Nery: Filha classifica ressocialização como “utopia” e relata dor após primeira condenação | Cliquef5

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Foto-Reprodução-Web

 A condenação de Alex Roberto de Queiroz Silva — atirador confesso e executor do assassinato do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Renato Gomes Nery — a 33 anos e 8 meses de prisão não trouxe alívio para a família da vítima. Em entrevista ao videocast PodOlhar, Lívia Nery, filha do jurista, classificou como “utópica” a ideia de ressocialização para autores de crimes encomendados.

Renato Nery foi morto a tiros em julho de 2024, na porta de seu escritório em Cuiabá, aos 72 anos. Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de Mato Grosso, o crime teve motivação de mando financeiro ligada a disputas judiciais de terras em Novo São Joaquim.

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Falta de arrependimento e desumanização

Durante a entrevista, Lívia destacou que a postura do condenado ao longo do julgamento reforçou sua descrença no sistema de recuperação penal.

“Acho que [ressocialização] é meio utópico. Existem pessoas que conseguem mudar, mas estamos falando da exceção. A regra são os que saem e saem com mais ódio para fazer coisas piores. Isso exige que a própria pessoa queira ser um ser humano melhor e queira se arrepender”, afirmou.

Segundo a filha, o réu relatou a execução do homicídio sem qualquer demonstração de remorso. Renata Nery, também filha do ex-presidente da OAB, complementou que a maneira como o crime foi narrado transmitiu frieza: “Parecia que ele estava falando de algo simples, como comprar ou vender uma bicicleta”.

Impacto emocional e desdobramentos judiciais

A família também criticou os argumentos utilizados por defesas de outros investigados no processo, que alegam condições pessoais para obter habeas corpus. “E nós? A gente entrou em pânico. Nós adoecemos fisicamente”, desabafou Lívia.

Apesar da condenação severa fixada no primeiro Tribunal do Júri, as filhas reiteraram que a sentença não ameniza a perda sofrida. “É muito fácil falar que a Justiça foi feita, mas isso não alivia ninguém. Nenhuma decisão vai trazer meu pai de volta”, ressaltou Lívia.

As irmãs confirmaram que atuarão como assistentes de acusação nos julgamentos restantes. A expectativa é que os outros cinco denunciados sejam submetidos a júris populares separados. “A gente vai revezar. É só o começo”, concluiu Renata, lembrando que cada nova movimentação faz a família reviver o drama iniciado em 2024.

  • Realização do Tribunal do Júri: O julgamento do caseiro e atirador confesso Alex Roberto de Queiroz Silva ocorreu no Plenário do Tribunal do Júri de Cuiabá, sob a coordenação do programa Mais Júri do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

  • Detalhes do Crime e Motivação: Conforme apurado pelas investigações policiais, o assassinato de Renato Nery foi um crime de mando motivado por disputas judiciais de terras. As investigações identificaram movimentações financeiras de cerca de R$ 200 mil a R$ 215 mil para viabilizar a execução, envolvendo mandantes e intermediários (entre eles policiais militares).

  • Julgamentos Faltantes: Alex Roberto foi o primeiro entre seis denunciados pelo Ministério Público a passar por julgamento, restando ainda a etapa de Tribunal do Júri para os demais acusados (incluindo supostos mandantes e intermediários do crime).



Fonte: Click F5