Filho do ex-deputado Carlos Bezerra afirmou ao Tribunal do Júri que perdeu o controle no dia do crime, negou perseguição à ex-companheira e disse que nunca pensou em fugir após os assassinatos.
Durante depoimento prestado nesta sexta-feira (31), no Tribunal do Júri, o empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, confessou novamente ser o autor dos disparos que mataram a ex-companheira Thays Machado e o então namorado dela, Willian César Moreno. Emocionado em alguns momentos, ele declarou que convive diariamente com o arrependimento pelo crime cometido em janeiro de 2023.
Segundo o réu, a decisão tomada naquele dia foi o maior erro de sua vida e o sentimento de culpa o acompanha desde então. Ele afirmou que lamenta constantemente não apenas a morte de Thays, mas também o impacto causado na vida da filha da vítima.
Durante cerca de duas horas de interrogatório, Carlinhos respondeu aos questionamentos da defesa, do Ministério Público e da magistrada responsável pelo julgamento. Ao relembrar o relacionamento, classificou a convivência com Thays como positiva, apesar das frequentes separações e reconciliações ao longo dos quase quatro anos em que estiveram juntos. Segundo ele, o casal chegou a planejar casamento.
O empresário contou que o relacionamento terminou definitivamente no fim de dezembro de 2022, após desentendimentos que começaram durante um almoço. Mesmo após a separação, afirmou que acreditava em uma possível reconciliação e tentou retomar contato com a ex-companheira.
Ele também confirmou que utilizava o compartilhamento de localização do celular para saber onde Thays estava e disse que foi até a rodoviária ao perceber que ela se encontrava no local. Segundo sua versão, a intenção era apenas conversar e entender os motivos do fim do relacionamento.
Ao falar sobre o dia do crime, Carlinhos afirmou que encontrou Thays e Willian novamente por acaso, quando seguia para um compromisso. De acordo com ele, ao questionar a ex-companheira sobre as ligações não atendidas, Willian teria se aproximado do veículo e iniciado uma discussão.
O réu alegou que perdeu o controle emocional naquele momento e efetuou o primeiro disparo contra Willian. Ainda conforme seu relato, sofreu um “apagão” e não consegue recordar exatamente como ocorreram os demais tiros.
Questionado sobre o motivo de essa versão não ter sido apresentada anteriormente durante as investigações, respondeu que havia contado os fatos ao antigo advogado, mas que, após ser preso, estava emocionalmente abalado e com dificuldades para falar.
Durante o depoimento, Carlinhos também rejeitou a acusação de que perseguia Thays. Ele afirmou que nunca monitorou a rotina da ex-companheira e explicou que as anotações encontradas pela Polícia Civil em sua residência faziam parte de um hábito pessoal de registrar informações.
O empresário ainda negou que as inúmeras ligações feitas para Thays configurassem perseguição, alegando que preferia resolver os problemas conversando por telefone.
Sobre a viagem para Campo Verde logo após o crime, Carlinhos afirmou que não tinha intenção de fugir. Segundo ele, precisava de um tempo para compreender o que havia acontecido antes de se apresentar às autoridades.
O caso
Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, responde pelo assassinato de Thays Machado, de 44 anos, e de Willian César Moreno, de 30 anos.
O crime ocorreu em 18 de janeiro de 2023, em frente ao Edifício Solar Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. Na ocasião, o casal aguardava um veículo de aplicativo quando foi surpreendido pelos disparos.
De acordo com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Thays foi atingida por três tiros, enquanto Willian sofreu disparos no braço e no tórax. As vítimas morreram no local. O julgamento segue no Tribunal do Júri, que decidirá a responsabilidade penal do empresário pelo duplo homicídio.




