MP avalia recorrer para aumentar pena de Carlinhos Bezerra após condenação a 36 anos; vídeo | RepórterMT

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EDUARDA FERNANDES

VANESSA MORENO

DO REPÓRTERMT

O promotor de Justiça Vinicius Gahyva afirmou que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) vai analisar os fundamentos da sentença que condenou Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, a 36 anos de prisão, em regime fechado, pelo assassinato da ex-namorada Thays Machado e do companheiro dela, Willian César Moreno. Segundo ele, caso haja respaldo jurídico, o órgão poderá recorrer para buscar o aumento da pena.

“O Ministério Público ainda vai verificar o conteúdo da sentença, quais foram as circunstâncias valoradas para a aplicação da pena e, eventualmente, se houver perspectiva de alteração para maior, naturalmente, vai interpor o recurso adequado”, afirmou à imprensa após o encerramento do julgamento.

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Gahyva explicou que, até o momento da entrevista, apenas a parte dispositiva da sentença havia sido lida em plenário. Os fundamentos da decisão ainda serão analisados pela Promotoria para definir se haverá recurso.

Questionado se esperava uma condenação superior aos 36 anos fixados pela juíza Mônica Perri, o promotor lembrou que o crime foi cometido antes da alteração legislativa que endureceu as penas para feminicídio.

“A bem da verdade, o crime foi praticado antes da alteração legislativa que estabeleceu um mínimo maior para esse tipo de crime. Vamos analisar o conteúdo da sentença e, se houver espaço para isso, naturalmente não vamos reivindicar nada que não seja devido, sempre na busca da verdade, da Justiça e da proporcionalidade da sanção penal à gravidade das condutas cometidas”, declarou.

Críticas à estratégia da defesa

Ao comentar o andamento do julgamento, Gahyva criticou a postura adotada pela nova banca de defesa de Carlinhos Bezerra. Segundo ele, embora a ampla defesa seja um direito constitucional, ela não autoriza ataques pessoais.

“O direito de defesa é pleno, mas não é ilimitado. Pautar uma defesa em atacar as vítimas, as autoridades, a juíza, o promotor de Justiça e até mesmo outro advogado é absolutamente desnecessário”, afirmou.

O promotor também saiu em defesa do advogado Francisco de Assis Faiad, que atuou anteriormente no processo e foi alvo de críticas da nova equipe de defesa durante o julgamento.

Além disso, Gahyva afirmou que todas as alegações apresentadas pela defesa para tentar suspender o júri já haviam sido analisadas e rejeitadas pelas instâncias superiores, razão pela qual não vê possibilidade de alteração do resultado do julgamento com base nesses argumentos.

Ex-governador não interferiu, diz promotor

Questionado sobre a possibilidade de o fato de o réu ser filho do ex-governador Carlos Bezerra ter influenciado na demora para a realização do júri, o promotor descartou qualquer interferência política.

Segundo Gahyva, durante sua sustentação oral ele fez questão de destacar que, ao longo de todo o processo, não houve indícios de interferência do ex-governador em favor do filho.

“O senhor Carlos Bezerra, na sua lucidez, em momento algum ousou interferir no processo. Evidentemente, como pai, ofereceu todos os meios para garantir uma defesa de qualidade ao filho, o que é natural. Mas também ficou claro desde o início que os maiores prejudicados por essa tragédia foram as vítimas e seus familiares”, concluiu.



Fonte: Repórter MT