
A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, foi intimada a prestar esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto cerceamento da defesa do réu Carlinhos Bezerra, que responde pelo feminicídio da ex-namorada, Thays Machado, e pelo homicídio do então namorado dela, William César Moreno, ocorrido em janeiro de 2023, em Cuiabá. A determinação foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes nesta sexta-feira (31), data em que o empresário foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
TJMT
O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior, que faz a defesa de Carlinhos Bezerra
Os advogados de Carlos Alberto Gomes Bezerra alegaram que a magistrada violou o disposto na Súmula Vinculante 14 da Suprema Corte, que garante o amplo acesso aos elementos de prova já documentados em procedimentos investigatórios, desde que digam respeito ao direito de defesa.
No último dia 21 de julho, os advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Silva e Gabriel Gouvea chegaram a abandonar o primeiro júri de Carlinhos alegando como justificativa o cerceamento de defesa, pois, segundo eles, não houve tempo suficiente para análise dos documentos. Em entrevista exclusiva ao , Elson Marcelino rejeitou o termo “estratégia” para classificar o abandono da sessão e afirmou que o objetivo da equipe se resumia a buscar um “julgamento justo”.
“Não é estratégia. A ‘estratégia’ é poder fazer da melhor forma possível a defesa. Se você me perguntar se a defesa teria, hoje, condições de fazer um júri digno: não, não teria. Nós abandonamos porque a juíza não permitiu que a defesa tivesse uma forma digna de fazer o seu trabalho”, declarou Elson, ao citar a juíza Mônica Perri, responsável pelo caso.
Josi Dias/TJMT
A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá
No dia 19 de julho, a defesa tentou um recurso alegando de cerceamento de defesa por supostas falhas na comunicação de processos vinculados ao acusado, ausência de acesso à totalidade das provas e “falta de tempo” para analisar um volume de 109 gigabytes de provas digitais. Mas a juíza Mônica Perri negou e pontuou: “Não se cuida, na espécie, de prazo exíguo ou insuficiente, mas de intervalo mais do que razoável para o exame técnico do conteúdo pela equipe de defesa, habilitada e assistida por profissionais capacitados para tanto”.
Relembre o caso
A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno, foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora. William a acompanhava.
Conforme publicado, Thays estava em um relacionamento com Willian há cerca de um mês quando, na madrugada do dia do crime, ela foi ao aeroporto para buscar o atual namorado. Na data, os dois teriam sido abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma de fogo.
Ela ligou para o 190 e denunciou a situação. Na ligação, ela foi orientada a procurar a Delegacia da Mulher e foi solicitado que entrasse em contato, “caso fosse necessário”. De acordo com as investigações, Thays não procurou a Delegacia da Mulher para formalizar a denúncia e pedir medida protetiva.
Um pouco mais tarde, por volta das 17h daquele dia, ela e Willian Moreno foram mortos na calçada do edifício onde a mãe de Thays morava.
Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.
Entre na comunidade do Rdnews no WhatsApp e acompanhe as notícias em tempo real; Acesse
Fonte: RD News




