
Foto-Reprodução-Web
O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), negou veementemente ter sido beneficiado pelo repasse de R$ 308 milhões em créditos tributários do Estado à operadora Oi S.A. Alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal (PF), Mendes afirmou que nem ele nem seus familiares receberam recursos da transação. Ele voltou a defender a legalidade do acordo promovido pelo governo estadual e acusou adversários políticos de manipularem informações para induzir os órgãos de investigação às vésperas do pleit
Em vídeo publicado em suas redes sociais, o ex-gestor relembrou a Operação Ararath, ocorrida em 2014, quando também foi investigado. “Em 2017, três anos depois, a mesma Polícia Federal que entrou na minha casa emitiu parecer favorável a mim, em consonância com o Ministério Público Federal (MPF). A Justiça arquivou o processo por concluir que eu não havia cometido qualquer irregularidade”, declarou.
Mendes sustentou que a negociação de R$ 308 milhões evitou um prejuízo maior aos cofres públicos. Segundo ele, o valor atualizado da dívida entre 2009 e 2024 chegaria a quase R$ 580 milhões. “A Procuradoria do Estado atuou para encerrar o litígio judicial e devolver R$ 308 milhões. O termo passou pelo crivo de diversos procuradores e foi devidamente homologado pelo Judiciário”, afirmou.
O pré-candidato rebateu as alegações de que fundos de investimento envolvidos na operação estivessem atrelados à sua família. Mendes destacou que a denúncia foi formulada há mais de um ano por rivais políticos — citando a deputada Janaina Riva (MDB) e o ex-governador Pedro Taques (PSB) — com base em “dados falsos e fabricados”.
“Essas investigações costumam se arrastar por anos, enquanto as eleições ocorrem em 60 dias. Fica evidente a intenção dos nossos adversários em usar esse episódio como ferramenta para desgastar nossa candidatura, que lidera as pesquisas. Defendo que investiguem com rigor. Não cometi ato ilegal e tenho convicção na lisura da Procuradoria-Geral do Estado”, pontuou.
Embora tenha informado que ainda não obteve acesso à íntegra dos autos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Mendes colocou-se à disposição das autoridades. “Já passei por isso e tenho certeza de que tudo será esclarecido. Não será uma armação eleitoral que irá interromper nosso trabalho por Mato Grosso e pelo Brasil.”
Entenda a Operação Heritage e o Contexto Recente
A Operação Heritage investiga supostos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, uso de informação privilegiada e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional. Ao todo, foram expedidos pelo STF 25 mandados de busca e apreensão cumpridos em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, além do bloqueio de bens de até R$ 316 milhões e retenção de passaportes.
Investigações
Suspeita da Polícia Federal: Segundo as investigações conduzidas pela PF com aval do ministro Flávio Dino (STF), o acordo tributário da Oi teria sido utilizado como fachada para direcionar verbas públicas a fundos de investimento interpostos (FIDs). A acusação aponta que parte dessas cotas teria chegado, em etapas sucessivas, a empresas vinculadas a parentes do ex-governador e do deputado federal Fábio Garcia (União).
Fundos Criados Antes da Assinatura: Relatórios recentes apontam que dois dos fundos de investimento sob suspeita teriam sido abertos cerca de 48 dias antes da formalização e homologação do acordo de ressarcimento entre a PGE-MT e a operadora, elemento que intensificou as suspeitas de uso de informação privilegiada.
Origem do Litígio: A disputa decorre de pagamentos de ICMS efetuados em 2009. Em 2020, o STF considerou a lei estadual que cobrava as taxas inconstitucional, abrindo brecha para a cobrança de ressarcimento pela Oi. Em recuperação judicial, a empresa cedeu seus créditos a terceiros para antecipar recebíveis, dando origem à teia financeira que agora é objeto de apuração.
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Fonte: Click F5




