
Foto-Reprodução-Web
A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito que investigou a morte da jovem Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho, de 20 anos, ocorrida no dia 10 de maio em uma casa noturna em Poxoréu (a 45 Km de Primavera do Leste). O vereador Túlio César (Republicanos) e outro homem — apontado como liderança de uma facção criminosa — foram indiciados por homicídio qualificado (por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima) e por integrarem organização criminosa.
Túlio César cumpre prisão preventiva após ser preso durante a deflagração da Operação Véu de Ísis.
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A dinâmica da execução e o apoio logístico
Segundo as apurações da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Primavera do Leste, o assassinato foi planejado detalhadamente. Lavínia foi surpreendida ao chegar à casa noturna por volta das 2h da manhã. O executor aproximou-se por trás e efetuou disparos à queima-roupa na cabeça da jovem, continuando a atirar mesmo após ela já estar caída. A perícia constatou ao menos cinco tiros disparados a curta distância.
Após o crime, o executor fugiu em uma motocicleta Honda XRE 300 preta e sem placa, abandonada posteriormente na região do “lixão” da cidade. Dali, o criminoso prosseguiu em fuga com o auxílio de um Hyundai HB20S cinza.
A perícia em celulares apreendidos revelou que a participação do vereador Túlio César começou antes mesmo do disparo. As trocas de mensagens indicam que o parlamentar recebia atualizações em tempo real sobre os passos da vítima, alinhava qual veículo seria utilizado e alinhava a logística para resgatar o executor logo após o homicídio. Posteriormente, orientou a queima de arquivo digital — incluindo a formatação de aparelhos, exclusão do WhatsApp e troca de chips.
Emboscada e motivação do crime
Horas antes do homicídio, Lavínia esteve em uma confraternização acompanhada de uma adolescente. A investigação revelou que a menor tinha conhecimento prévio do atentado, mantendo-se ao lado da vítima para não gerar desconfiança enquanto recebia chamadas de vídeo de um detento ligado ao grupo criminoso.
A motivação do crime seria retaliação: a jovem auxiliava a mãe em prestação de serviços no quartel da Polícia Militar e mantinha contato com agentes de segurança. A facção suspeitava que Lavínia estivesse repassando informações sobre o tráfico de drogas na região de Poxoréu.
O inquérito contra os dois adultos foi remetido ao Judiciário, enquanto as condutas relativas à adolescente foram encaminhadas para tramitação sob o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Polícia Civil segue em diligências para identificar e prender o atirador.
O Combate às Facções em MT
A prisão do vereador e a conclusão deste inquérito inserem-se em um contexto de intensificação do combate às facções criminosas e à infiltração do crime organizado no Poder Público em Mato Grosso.
Avanço da Operação Véu de Ísis: Deflagrada em fases sucessivas pela Polícia Civil de MT, a operação ganhou tração com o cumprimento de mandados de busca e prisão em cidades como Poxoréu, Rondonópolis e Cuiabá. O foco central das etapas recentes foi desmantelar a rede de apoio logístico e financeiro usada pelo crime organizado para infiltrar agentes políticos locais.
Devassa no Uso de Telefones em Presídios: A revelação de que a ordem para monitorar a jovem partiu de dentro de uma unidade prisional via videochamada reflete um problema recorrente mapeado pelas forças de segurança regionais ao longo do último trimestre.
Infiltração Política: O indiciamento de parlamentares por envolvimento direto em homicídios ordenados por facções coloca em evidência a estratégia das organizações criminosas de cooptar lideranças locais para facilitar a logística, obter proteção ou acobertar rotas de fuga no interior do estado.
Fonte: Click F5





