
O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Federal, Mauro Mendes (União Brasil), desafiou o trabalho investigativo da Polícia Federal no âmbito da Operação Heritage, que apura um acordo para pagamento de precatórios na ordem de R$ 308 milhões, firmado entre Estado e a empresa de telefonia Oi. A suspeita é de que os recursos teriam sido escamoeteados em fundos de investimentos que tinham aliados do ex-governador como beneficiários finais.
Em entrevista à Rádio Centro América, Mauro alegou que o acordo foi totalmente legal, tendo amparo da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Tribunal de Contas (TCE-MT) e Ministério Público de Contas (MPC-MT), pela “vantajosidade” do acordo. Assim, acredita que a apuração da PF deve caminhar para o arquivamento. Ele ainda acusou o ex-senador e ex-governador, Pedro Taques (PSB), seu adversário na corrida ao Senado neste ano, como o responsável pela “manipulação” de informações para prejudicá-lo.
“A Polícia Federal está investigando. Pode investigar. Vai acontecer exatamente o que aconteceu comigo em 2014. Fizeram uma denúncia, foram lá, fizeram essa papagaiada toda e depois, três anos depois, foi tudo arquivado. Não tem a menor dúvida que será tudo arquivado”, manifestou ele, quando questionado sobre qual teria sido a sua participação nas tratativas do acordo.
Felipe Barros
Mauro negou que tenha sido um dos beneficiários finais do acordo e alegou que houve “eficiência” do Poder Público para quitação do débito. “O dinheiro não foi parado nos fundos. Isso é uma mentira e uma narrativa que foi contada, e com certeza isso vai ser esclarecido nos autos”, disse.
A deflagração da operação ocorreu no dia 6 de agosto e apura crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, tendo como alvos, além do ex-governador, o ex-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho; o deputado federal Fabio Garcia (UB); membros da PGE, empresários e advogados.
Ainda foi alvo o desembargador do Tribunal de Justiça (TJMT), Ricardo Almeida, que à época do acordo, teria atuado como advogado na mediação do acordo, em 2024. Em 2025, ele acabou sendo empossado no cargo de desembargador após a formação da lista trípice formulada pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB-MT). Durante a entrevista, Mauro foi questionado se a escolha de Ricardo Almeida para o TJMT havia sido uma premiação pela mediação do acordo, ao que ele rebateu, defendendo a integridade do magistrado.
“O Ricardo Almeida é um advogado que atua aqui em Mato Grosso há muitos anos, já foi juiz no Tribunal Regional Eleitoral. É um advogado que tem uma trajetória extremamente correta e ilibada. Conheço ele há muitos anos […] e chegou na lista tríplice para mim, por isso que ele foi nomeado. Pela sua história, pelo seu currículo e pela sua competência”, bancou.
Caso Oi: Mauro crê em arquivamento, nega ter recebido recursos ou favorecido aliados
Crédito: Rádio Centro América pic.twitter.com/pit3ylzeKT
— RDNews (@_rdnews) August 26, 2026
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Fonte: RD News




