Mauro Mendes reage à Operação Heritage, aponta ‘armação’ na PF e defende endurecimento penal extremo | Cliquef5

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Foto-Reprodução-Web

Em meio aos desdobramentos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal, o ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Mauro Mendes (União) classificou as investigações como resultado de uma “armação política” com vazamento prévio de informações para seus adversários. Em entrevista ao videocast PodOlhar, do portal Olhar Direto, o político rebateu as acusações de lavagem de dinheiro, atacou ex-aliados e defendeu reformas radicais no Código Penal, incluindo a prisão perpétua e a eventual discussão sobre a pena de morte no país.

Ingerência na PF e acusação de vazamento

Deflagrada por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Operação Heritage cumpriu mandados contra Mendes sob a suspeita de envolvimento em um suposto esquema. A apuração foca em um acordo de cerca de R$ 308 milhões firmado entre o governo de Mato Grosso e a operadora Oi, cujos recursos teriam sido pulverizados através de uma rede de fundos de investimento até atingir estruturas ligadas à família do ex-governador.

Duas semanas após a operação, Mauro sustentou que adversários políticos já sabiam da ação antes de ela acontecer:

  • Suspeita de vazamento: “Não dá para perceber que tinha uma sacanagem aí? É um fato evidente e objetivo. Os adversários sabiam”, declarou, citando nominalmente o senador Jayme Campos (União) e familiares.

  • Atuação interna: O candidato questionou se agentes internos estariam a serviço de disputas políticas, embora tenha ponderado que a Polícia Federal como instituição reúne profissionais de diferentes índoles.

Transações e o fundo ‘GS Heritage’

A PF e a decisão do STF apontam para uma cadeia que envolve os fundos Royal Capital, Zurich FIM e London FIP. Este último teria adquirido cotas da empresa Parecis Bioenergia pertencentes à 5M Capital, gerida pela família Mendes por meio da holding GS Heritage.

Mauro negou qualquer irregularidade e defendeu a legalidade da atuação do Estado:

  1. Autonomia dos negócios: Argumentou que o governo estadual não tem a prerrogativa de fiscalizar o que credores privados fazem com o dinheiro recebido após a liquidação de dívidas legais.

  2. Rastreabilidade de fundos: Negou que a estrutura de fundos tenha sido usada para ocultar valores: “Tudo hoje é rastreável no Brasil. Quem escreve isso está escrevendo uma bobagem e não conhece a estrutura de fundos”.

  3. Patrimônio anterior: Lembrou que já era empresário do setor de energia e metalurgia antes de ingressar na vida pública em 2012, afirmando ter deixado o governo com patrimônio menor do que quando entrou.

Rompimento com aliados e ataques a rivais

A crise provocada pela Operação Heritage azedou as pontes políticas de Mendes. No videocast, ele subiu o tom contra antigos correligionários e adversários diretos na corrida ao Senado:

“Ele não está na política para falar aquilo que é verdade, mas o que é conveniente”

— Mauro Mendes, sobre as críticas do senador Jayme Campos (União).

O ex-governador também atacou o ex-governador Pedro Taques (PSB), classificando-o como “o pior governador da história de Mato Grosso” e acusando-o de mover-se por “ódio, rancor e ressentimento”.

Pauta punitivista: Prisão perpétua e pena de morte

Na etapa final da entrevista, o candidato adentrou em suas propostas para o Congresso Nacional, defendendo o endurecimento rigoroso do sistema penal mediante convocação de uma nova Assembleia Constituinte:

  • Prisão Perpétua: Defendeu que autores de crimes graves sejam excluídos em definitivo do convívio social.

  • Pena de Morte: Admitiu que, caso a prisão perpétua não surta efeito no combate à criminalidade, o país deve avançar para debater a eliminação física de criminosos, ponderando apenas os limites éticos do eleitorado cristão.

  • Crimes de Colarinho Branco: Afirmou que as penas severas não devem se limitar a delitos violentos, estendendo-se à corrupção, sonegação fiscal e receptação.

O impacto da Heritage nas pesquisas

A deflagração da Operação Heritage tornou-se o principal fato político do período eleitoral em Mato Grosso:

  • Abertura de Inquérito e Buscas (Agosto/2026): As buscas da PF e os bloqueios de ativos superiores a R$ 300 milhões foram explorados intensamente por opositores — com Pedro Taques chegando a peticionar à PGR requerendo a prisão preventiva do ex-governador.

  • Efeito no Eleitorado: Levantamentos de intenção de voto do mês de agosto mostram um cenário de volatilidade. Enquanto pesquisas como a Quaest registraram uma trajetória de queda para Mendes na disputa pela primeira e segunda vagas ao Senado, dados do Paraná Pesquisas indicam que ele ainda mantém a liderança isolada nas intenções totais de voto no estado, demonstrando a resiliência de sua base eleitoral mesmo sob forte desgaste midiático.

 

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Fonte: Click F5