Queimadas avançam e MT entra em setembro com 25 incêndios florestais ativos

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Divulgação | CBM-MT

Mato Grosso entrou em setembro com 25 incêndios florestais em combate em 18 municípios e ao menos três cidades sob decretos de emergência por causa das queimadas. O cenário coincide com o período mais crítico da estiagem e com o alerta para um El Niño muito forte, que pode prolongar a seca e aumentar o risco de fogo em parte do Estado.

Segundo o Corpo de Bombeiros, nove incêndios foram extintos nas últimas 24 horas em Barra do Garças, Canabrava do Norte, São Félix do Araguaia, Nova Xavantina e Santo Antônio de Leverger.

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As ocorrências ainda em combate estão em Paranaíta, Paranatinga, Nossa Senhora do Livramento, Barra do Garças, Várzea Grande, Vila Bela da Santíssima Trindade, Barão de Melgaço, Itiquira, Juína, Marcelândia, Matupá, Nova Xavantina, Poconé, Sapezal, União do Sul, Água Boa, Alto Araguaia e Aripuanã.

Paranaíta concentra três incêndios. Paranatinga, Nossa Senhora do Livramento, Barra do Garças, Várzea Grande e Vila Bela da Santíssima Trindade têm duas ocorrências cada.

O combate mobiliza equipes terrestres e, conforme a necessidade, aeronaves do Grupo de Aviação Bombeiro Militar, Defesa Civil Estadual, Centro Integrado de Operações Aéreas e Polícia Militar.

CIDADES EM EMERGÊNCIA

Em Santo Antônio de Leverger, o incêndio no Morro de Santo Antônio foi declarado extinto na tarde desta quarta-feira, 2 de setembro.

As chamas haviam sido controladas na terça-feira, 1º, mas os bombeiros permaneceram na região para evitar novos focos. Três aeronaves participaram da operação.

Ao todo, foram realizados 28 lançamentos, com aproximadamente 85 mil litros de água. A chuva que atingiu a região também ajudou a reduzir a intensidade do fogo.

Santo Antônio de Leverger está entre os municípios que decretaram situação de emergência diante do risco de queimadas. Nossa Senhora do Livramento também declarou emergência ambiental, com vigência até dezembro. Jangada adotou medida semelhante em agosto.

Antes das decisões municipais, o Governo de Mato Grosso já havia declarado emergência ambiental em todo o Estado, com vigência de abril a dezembro de 2026.

117 FOCOS DE CALOR

Dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontaram 117 focos de calor em Mato Grosso nas últimas 24 horas. Desse total, 65 estavam na Amazônia e 52 no Cerrado.

As Terras Indígenas concentravam 25 focos. O maior número foi identificado na Terra Indígena Pimentel Barbosa, em Ribeirão Cascalheira, com oito registros.

O Corpo de Bombeiros ressalta que um foco de calor detectado por satélite não significa, isoladamente, a existência de um incêndio florestal. O registro serve como indicativo de temperaturas elevadas e auxilia no monitoramento.

Desde o início do período proibitivo, os bombeiros já atuaram na extinção de incêndios em pelo menos 27 municípios.

O uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais está proibido entre 1º de julho e 30 de novembro nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Nas áreas urbanas, a proibição vale durante todo o ano.

EL NIÑO AUMENTA PREOCUPAÇÃO

O cenário pode ficar mais delicado nos próximos meses. Órgãos federais apontam probabilidade superior a 90% de que o El Niño alcance intensidade muito forte entre setembro e novembro.

O fenômeno pode favorecer temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em partes de Mato Grosso, principalmente no norte do Estado.

Segundo o Cemaden, essa combinação pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar a vulnerabilidade aos incêndios florestais.

O El Niño, porém, não determina sozinho o comportamento das chuvas em Mato Grosso. Outros sistemas atmosféricos também influenciam o clima no Centro-Oeste.

Mesmo assim, calor intenso, baixa umidade, vegetação seca e eventual atraso na regularização das chuvas mantêm os órgãos ambientais em alerta.

Em Cuiabá, o cenário até agora é diferente do observado no interior. A capital registrou 228 ocorrências de incêndio em vegetação entre janeiro e agosto, contra 243 no mesmo período de 2025, redução de 6,17%.



Fonte:Estadão MT