Alfinetadas, promessas e jogo alinhado: 4 candidatos dão tom de campanha e polarizam 1º debate | Rdnews

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O primeiro debate realizado pelo g1 nesta quinta-feira (3), entre os candidatos ao Senado Federal por Mato Grosso, contou com forte troca de farpas sobre temas regionais e polarização nacional, envolvendo defesas e críticas aos governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Estiveram presentes os nomes alinhados à direita, o deputado federal José Medeiros (PL) e o produtor rural Antônio Galvan (Avante) – que, embora não coligados, compartilham o mesmo campo ideológico -, além da dobradinha governista de esquerda formada pelo senador Carlos Fávaro (PSD) e pelo ex-governador e ex-senador Pedro Taques (PSB). Os candidatos Mauro Mendes (União Brasil), Janaina Riva (MDB) e Margareth Buzetti (PP) faltaram ao debate. Outros três postulantes não foram convidados.

Reprodução

Sob mediação da jornalista Gleyce Santos, cada candidato dispôs de 15 minutos ao todo, com falas limitadas a 1 minuto e 30 segundos para evitar monólogos. Os blocos abordaram Relação entre Poderes, Comércio Exterior, SUS, Segurança Pública, Infraestrutura e Logística, Emendas Parlamentares, Temas Livres e Considerações Finais.

SUS 

Taques defendeu a convocação de mais de 7 mil concursados e ampliação de investimentos na área, destacando a gratuidade do sistema público de saúde brasileiro em comparação ao modelo privado norte-americano. Citou, ainda, apurações em curso contra a gestão Mauro Mendes.

Medeiros afirmou já ter destinado mais de R$ 500 milhões para a saúde de Mato Grosso por meio de emendas parlamentares, sustentando ter histórico de serviços prestados.

Galvan classificou o governo federal como “desgoverno” e criticou Fávaro pela entrega de ambulâncias em período eleitoral. Medeiros reforçou as críticas a Fávaro e a Lula, apontando o suposto uso eleitoral da máquina pública.

Em resposta, Fávaro destacou os repasses do governo Lula ao estado, comparando-os com a gestão de Jair Bolsonaro. Taques sustentou que o gargalo do setor é a corrupção e criticou a atuação do governo estadual durante a pandemia de Covid-19, citando a perda de sua irmã. Medeiros contrapôs afirmando que não faltaram recursos federais a Mato Grosso na gestão Bolsonaro e frisou sua conduta ilibada na aplicação de emendas.

Galvan encerrou o tema afirmando que percorreu os municípios mato-grossenses e não localizou as vans anunciadas por Fávaro, ironizando a fala em alusão à promessa de campanha de 2022 sobre o consumo de picanha.

Segurança Pública 

Taques avaliou que Mato Grosso enfrenta a expansão de facções e declarou que Mauro Mendes teve postura fraca diante do crime organizado, defendendo a fixação de um piso constitucional obrigatório para investimentos no setor pelos estados.

Medeiros defendeu a atuação repressiva do governo Bolsonaro nas fronteiras e rodovias, criticando a condução da área pelo governo atual.

Galvan citou declarações de Lula a respeito do papel do usuário no tráfico e defendeu medidas punitivas severas, incluindo castração química para estupradores e a instituição da pena de morte.

Fávaro qualificou as propostas como demagógicas e inaplicáveis sob a ordem jurídica vigente, defendendo em contrapartida maior rigidez processual, fim da progressão de regime para crimes graves, ampliação do tempo de cumprimento de pena, apoio à PEC da Segurança e a recriação de pasta ministerial própria para o setor.

Taques concordou com Fávaro quanto à inconstitucionalidade das propostas de Galvan e ironizou que, se fosse permitida nova constituinte para pena capital, a medida deveria valer também para agentes públicos que desviam verbas.

Infraestrutura e Logística

Fávaro apontou investimentos federais no estado, a exemplo das obras de duplicação da BR-163 e o avanço da Ferrovia Vicente Vuolo.

Medeiros cobrou celeridade na BR-158 e destravamento dos estudos da Ferrogrão no STF, afirmando que a superação desses entraves depende da troca do comando do governo federal.

Taques defendeu que os trilhos da ferrovia cheguem a Cuiabá e criticou a criação de novas praças de pedágio em rodovias estaduais, prometendo fiscalizar as concessões privadas.

Galvan interveio lembrando que aportes do BNDES configuram financiamentos que geram endividamento aos cofres estaduais, ao que Fávaro rebateu alegando a escassez de repasses na gestão anterior.

Emendas Parlamentares

Fávaro defendeu a prerrogativa do Legislativo na destinação do orçamento, mencionando a alocação de mais de R$ 4 bilhões ao longo de seu mandato e rejeitando o formato de emendas de relator secretas.

Taques prometeu rigor na fiscalização e execução orçamentária para coibir desvios.

Galvan criticou o modelo atual de distribuição de emendas, sustentando que os recursos deveriam ser descentralizados de forma automática por meio do aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Medeiros afirmou que existiam rumores sobre a exoneração de Fávaro do Ministério da Agricultura em decorrência do direcionamento de recursos, declarando ter formalizado representação perante o Tribunal de Contas da União (TCU).

Taques cobrou seriedade de ambos, recomendando a apresentação formal de provas em órgãos de controle em vez de ilações em debate.

Temas Livres

Taques criticou a ausência de Mauro Mendes no debate e anunciou a realização de uma transmissão ao vivo para detalhar desdobramentos de investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Heritage. Também questionou Medeiros sobre o posicionamento dele referente a investigações contra aliados do governo estadual e seu projeto sobre operações policiais em períodos eleitorais.

Galvan contestou dados de emprego do IBGE, afirmou constatar fechamento de estabelecimentos comerciais e pediu votos para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Otaviano Pivetta (Republicanos).

Medeiros afirmou que operações policiais próximas a pleitos eleitorais sofrem interferência judicial indevida em benefício de grupos políticos, defendendo a responsabilização de culpados com a frase “quem for podre, que se quebre”.

Em novo bloco, Galvan direcionou críticas ao ambiente das universidades públicas e ao ensino básico, afirmando a preferência pelo modelo das escolas cívico-militares.

O encerramento teve troca direta de acusações entre Taques e Medeiros sobre a disputa jurídica da eleição suplementar e registros de ata partidária: Taques relembrou a cassação do adversário pelo TRE-MT, enquanto Medeiros negou fraude, atribuiu o fato a um erro formal de registro e acusou o rival de calúnia e de chefiar organização criminosa. Taques rebateu dizendo que, se eleito, não aceitará intimidações no Senado.

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Fonte: RD News