
Foto-Reprodução-Web
Em meio à maior crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) nos últimos anos, a ministra Cármen Lúcia tornou-se o centro das atenções do meio político e jurídico. O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) usou suas redes sociais no último domingo (5) para cobrar publicamente da magistrada um posicionamento favorável à abertura de uma investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes.
“Queremos saber se a senhora vai autorizar que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado”, declarou Flávio durante transmissão ao vivo, apelando para que a ministra “pense em sua biografia”. A cobrança ocorre em um momento em que a oposição tenta utilizar as mobilizações de rua do Sete de Setembro como termômetro para constranger a Corte.
Com o plenário do STF visivelmente rachado, a posição de Cármen Lúcia é vista como decisiva no julgamento que deve avaliar a conduta de Moraes e do ministro André Mendonça. Reservadamente, a ministra confidenciou a interlocutores sua perplexidade com o acirramento entre os colegas e o nível de erosão da imagem do Tribunal. Ela enxerga excessos de ambos os lados, o que tem impedido uma definição antecipada de seu voto.
Entenda a crise: a guerra de bastidores no STF
O embate no Supremo atingiu seu ponto crítico após desdobramentos de investigações relacionadas ao Banco Master e a fraudes no INSS. O estopim ocorreu no início de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de relatórios da Polícia Federal que apontavam trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O vazamento expôs o Supremo e levou Moraes a mover um duro contra-ataque.
Na quinta-feira (3), Moraes determinou a abertura de uma apuração contra o próprio Mendonça por suposto abuso de autoridade e improbidade, acionando o inquérito das fake news — movimento que foi posteriormente redirecionado pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Antes dessa investida, Cármen Lúcia havia chegado a telefonar para Moraes manifestando solidariedade pela exposição pública sofrida, gesto compreendido por ele como um aceno de apoio. Contudo, a reação de Moraes em pedir a investigação de Mendonça desagradou à magistrada, anulando qualquer garantia de voto a seu favor.
Mobilização eleitoral e pressão nas ruas
A escalada no STF ocorre em paralelo à corrida presidencial de 2026. A campanha de Flávio Bolsonaro busca alavancar os protestos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra Moraes para ultrapassar o cenário de empate técnico apontado pelas pesquisas e assumir o favoritismo no segundo turno.
A estratégia de Flávio visa transformar o volume de manifestantes nas ruas em pressão direta sobre os ministros do STF. “Se no Sete de Setembro as ruas estiverem cheias em todo o Brasil, o julgamento vai ser um; se estiverem vazias, vai ser outro”, sinalizou o candidato, condicionando a postura dos magistrados à repercussão popular.
O presidente da Corte, Edson Fachin, estuda pautar o julgamento das condutas dos dois ministros no plenário com transmissão ao vivo pela TV Justiça, em uma tentativa de conter o desgaste institucional e trazer transparência às deliberações. Até lá, Cármen Lúcia permanece como o voto mais cobiçado — e o principal enigma — da crise que paralisa o Supremo.
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Fonte: Click F5





