
Gustavo Moreno/STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira (10) a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master que tramitam na Corte. A decisão permite que os procedimentos sejam acessados pelos ministros, com exceção de diligências cujo sigilo seja considerado necessário para a realização de futuras medidas.
A determinação envolve a Petição 15.556, relatada pelo ministro André Mendonça, e procedimentos relacionados a ela. Fachin também solicitou a remessa de todo o material aos gabinetes dos ministros do Supremo.
A decisão ocorre em meio à crise instalada na Corte a partir das investigações envolvendo o Banco Master e de divergências entre Mendonça e Alexandre de Moraes.
RELATÓRIO DA PF
Na quarta-feira (9), Fachin convocou uma sessão extraordinária do plenário do STF para a próxima terça-feira (15). Os ministros deverão analisar o relatório da Polícia Federal que apontou uma suposta relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.
O documento foi produzido a pedido de Mendonça e passou a ser alvo de críticas de integrantes da Corte. Parte dos ministros questiona a iniciativa de investigar um integrante do Supremo sem autorização do plenário.
A sessão deverá discutir a validade do relatório e se haverá abertura de investigação contra Moraes.
CRISE NA CORTE
Fachin passou a tarde desta quinta-feira em reuniões com ministros do Supremo para discutir a crise e o rito da sessão marcada para terça-feira.
O presidente do STF recebeu Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Luiz Fux. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também esteve no gabinete da Presidência.
À noite, Fachin ainda se reuniu com a ministra Cármen Lúcia.
O caso é considerado inédito no STF e provocou articulações nos bastidores sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.
Segundo informações de bastidores citadas pela TV Globo, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como mais alinhados a Moraes, enquanto Mendonça teria apoio de Fux e Nunes Marques. Fachin e Cármen Lúcia são considerados votos ainda incertos.
CASO MASTER
As divergências entre integrantes do STF se intensificaram a partir das investigações envolvendo o Banco Master. O caso também envolve discussões sobre a atuação da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e dos próprios ministros do Supremo.
Mendonça é relator de investigações relacionadas ao banco e também de uma apuração sobre repasses destinados à produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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