
Sob a fachada do projeto religioso “Resgatando Vidas”, o grupo de WhatsApp autodenominado “As Faixa Rosa Evangélica”, evidenciou como mulheres mantinham relações íntimas, financeiras e sexuais com a alta cúpula do Comando Vermelho (CV-MT) na Penitenciária Central do Estado (PCE), conforme Relatório técnico da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), documento ao qual o teve acesso.
Segundo as investigações da Polícia Civil, as visitas de evangelização teriam sido completamente desvirtuadas, servindo como pretexto para encontros amorosos e troca de informações, tendo como contrapartida o recebimento de regalias, presentes e transferências bancárias financiadas pelos líderes da facção às mulheres ligadas ao projeto.
Reprodução/PJC
Da esquerda para direita: Lolo, Rhavenna e W.L.C, mulheres apontadas como “missionárias” e “namoradas” de faccionados
Segundo a Polícia, o grupo de conversas era administrado pela missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, presa no âmbito da Operação Fariseus, em julho deste ano, e denunciada pelo Ministério Público Estadual na última semana por participação em esquema de lavagem do dinheiro do CV. A Polícia identificou ainda como integrantes do “Faixa Rosa” Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi (“Lolo”), que é uma das irmãs de Rhavenna, também denunciada, e outras quatro mulheres: W.L.C, K.L.P, J.M.A.A (conhecida como “Mary/Maryyy”) e L.B.L. Essas últimas não constam na denúncia oferecida pelo MPE à Justiça.
As mensagens interceptadas revelam que as supostas missionárias dividiam os líderes criminosos e usam frases de conotação sexual: foram identificados, Sandro da Silva Rabelo, o Sandro Louco (o 1° do CV-MT, preso); Paulo Witer Farias Paelo, o “WT” (tesoureiro do CV-MT, preso); Jonas Souza Gonçalves Junior (o Batmam, foragido); Renildo da Silva Rios, o Velhote, preso. – estes dois últimos mantinham relação com Rhavenna, segundo a Polícia. O “rodízio” entre as demais envolviam outros líderes da facção que também estão presos e alguns “soldados” em liberdade, conforme o relatório.
O relatório aponta que uma das investigadas chegou a afirmar que visitaria um preso diferente a cada dia do feriado para que “nenhum ficasse brigado”, mantendo uma “lista da PCE” catalogada em ordem alfabética. O inquérito conclui que a atuação do grupo se transformou em uma rede de apoio logístico e favores sexuais para o mais alto escalão da organização criminosa.
“A referência expressa a sexo, somada às falas sobre namorados, ‘lista da PCE’, visitas individualizadas e divisão jocosa de lideranças, afasta de forma ainda mais clara a hipótese de relacionamento estritamente religioso”, sustenta o relatório da PJC.
Segundo a denúncia do Ministério Público, por meio do grupo de evangelização, Rhavenna, as mulheres e outros integrantes, conseguiam acesso a vários presos, de diferentes raios, abordagem considerada mais eficiente do que tentar se cadastrar como familiar ou companheiras de algum preso.
Reprodução
Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida; Renildo Silva Rios, vulgo “Veio”; Orminda Carlos de Barcelos Almeida; Rhuan Barcelos da Conceição; Anatany Nina de Barcelos Souza Alves; e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi
Família denunciada pelo MP
Como já informado, Rhavenna, a mãe, duas irmãs e um primo foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, em Cuiabá. Foram denunciados:
Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida: denunciada por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa; apontada como uma das principais responsáveis pela comunicação entre presos e integrantes da organização fora das unidades prisionais e também teria participado da movimentação de dinheiro.
Orminda Carlos de Barcelos Almeida: mãe de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa. Investigada por auxiliar na comunicação com presos, no recebimento de valores e na suposta lavagem de dinheiro.
Renildo Silva Rios: vulgo “Veio”, “Velho” e “Chapa”, apontado como namorado de Rhavenna; denunciado por lavagem de dinheiro e integrar organização criminosa. Seria integrante do Comando Vermelho. Teria sido uma das principais fontes dos valores.
Rhuan Barcelos da Conceição: primo de Rhavenna; denunciado por lavagem de dinheiro. Seria um dos responsáveis por armazenar dinheiro em espécie, em sua casa, e, posteriormente, entregá-los para Rhavenna.
Anatany Nina de Barcelos Souza Alves: irmã de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro. Ela ajudaria na realização de depósitos e movimentações bancárias.
Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, vulgo “Lolo”: também irmã de Rhavenna; denunciada por lavagem de dinheiro. Acusada de participar da movimentação dos valores e de receber benefícios financeiros e materiais.
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Fonte: RD News





