
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva dos policiais militares da Rotam Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Weckerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso. Em decisão unânime, os ministros acompanharam o voto da relatora, ministra Maria Marluce Caldas (foto). O acórdão foi publicado nesta quarta-feira (16).
Os militares são réus sob a acusação de forjar um confronto que resultou na morte de Walteir Lima Cabral e deixou Pedro Elias Silva ferido. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), a ação teria sido simulada para “plantar” na cena do crime a pistola Glock G17 utilizada no assassinato do ex-presidente da OAB-MT, o advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em julho de 2024, na capital.
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Os policiais estão presos preventivamente por ordem da Corte Superior. Ao acolher o pedido do MPE, o STJ destacou a gravidade concreta das condutas, a periculosidade dos envolvidos e a necessidade de resguardar a instrução criminal contra possíveis intimidações a testemunhas e ao sobrevivente.
Telemetria e acesso aos autos
Em paralelo, a 14ª Vara Criminal de Cuiabá expediu nova decisão em relação ao processo. O juiz João Bosco Soares da Silva acolheu parcialmente pedido da defesa e determinou que a Coordenadoria de Contrainteligência da Polícia Militar forneça os dados de GPS e telemetria (sistema AVL) da viatura L-200 utilizada na madrugada do suposto confronto, ocorrido em 12 de julho de 2024, no bairro Pascoal Ramos.
O magistrado considerou a prova útil para delimitar a cronologia dos fatos, o trajeto e o tempo de permanência no local, possibilitando o confronto de informações com o depoimento das testemunhas. Também foi autorizado o acesso da defesa ao inquérito principal que apura a morte de Renato Nery, a fim de permitir o contraditório sobre a alegação de adulteração da cena do crime. Outros pedidos, como o acesso irrestrito aos dados brutos dos celulares dos acusados, foram indeferidos.
Com o encerramento da fase de instrução processual, o juiz abriu prazo de cinco dias para manifestação do Ministério Público sobre os novos pedidos de revogação de liberdade antes de decidir se os réus permanecem custodiados.
Para enriquecer a matéria e situar o leitor sobre o andamento do processo do Caso Renato Nery, o cenário de apuração do crime reuniu marcos importantes:
Julgamentos e Oitivas na Primeira Instância (Julho de 2026):
Em julho, o Tribunal do Júri deu início às oitivas das testemunhas e dos acusados do homicídio. Durante os depoimentos, a Polícia Civil revelou que câmeras de segurança próximas ao escritório do advogado estavam inoperantes na data do assassinato — fato que era de conhecimento prévio do executor.
No mesmo período, a instrução colheu o depoimento emocionante da filha de Nery, que relatou ter prestado os primeiros socorros ao pai ainda no local do crime.
A Motivação e a Linha de Investigação dos Mandantes:
A tese central do Ministério Público aponta que o assassinato de Renato Nery foi encomendado por conta de disputas fundiárias em Mato Grosso. A principal linha investigativa envolve litígios sobre a Fazenda Atlântida (avaliada em R$ 70 milhões), onde Nery obtivera vitórias judiciais expressivas contra produtores rurais da região.
Tentativas de Habeas Corpus e Situação dos Acusados (Setembro de 2026):
Além do pistoleiro réu confesso e dos policiais militares apontados como executores/intermediários do plano e da ocultação da arma, suspeitos de figurar como mandantes (entre eles, a empresária Julinere Sechi) seguem presos. Nas últimas semanas, a defesa dos acusados de mandar executar o advogado ingressou com novos pedidos de habeas corpus e de trancamento de ação penal perante o TJMT e o STJ, os quais têm sido sistematicamente indeferidos pelas instâncias superiores.
Fonte: Click F5





