
A empresária Julinere Goulart Bentos, de Primavera do Leste, teve negado pela Justiça de Mato Grosso um novo pedido para deixar a prisão. Ela é apontada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como uma das mandantes do assassinato do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Renato Gomes Nery, morto a tiros em Cuiabá, em julho de 2024.
A decisão foi tomada pelo desembargador Gilberto Giraldelli, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que negou, em caráter liminar, o pedido de liberdade apresentado pela defesa. Com isso, Julinere permanece presa preventivamente.
Julinere é empresária e produtora rural de Primavera do Leste, onde também reside seu marido, César Jorge Sechi. O casal foi preso em maio de 2025 e é acusado de ter participado da articulação para a morte de Renato Nery. A investigação aponta que o crime estaria relacionado a uma disputa judicial envolvendo terras. Os dois negam participação no assassinato.
Julinere está presa desde 8 de maio de 2025. A defesa ingressou com novo habeas corpus alegando excesso de prazo e questionando a demora na análise do recurso apresentado contra a decisão que determinou que ela seja submetida ao Tribunal do Júri.
A decisão de pronúncia foi proferida em 6 de maio de 2026. Segundo a defesa, o recurso contra essa decisão foi apresentado em 21 de maio, mas os autos somente chegaram ao Tribunal de Justiça em 26 de agosto, após a primeira instância manter a prisão em julho. Até o momento, o recurso ainda não foi julgado.
Outro ponto questionado pelos advogados de Julinere é a habilitação das filhas de Renato Nery como assistentes de acusação. Quando o recurso entrou em pauta, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse analisado o pedido de ingresso das familiares no processo.
A defesa sustenta que a habilitação das filhas da vítima, ocorrida posteriormente, não poderia provocar a reabertura de etapas processuais que já haviam sido encerradas. Os advogados também argumentam que a demora ocorrida depois da decisão de pronúncia não poderia ser atribuída à acusada.
Ao analisar o pedido liminar, entretanto, Giraldelli entendeu que não havia, naquele momento, ilegalidade manifesta capaz de justificar a soltura imediata. Para o desembargador, os argumentos apresentados pela defesa exigem uma análise mais aprofundada e estão relacionados ao próprio mérito do habeas corpus.
O relator determinou ainda que a 14ª Vara Criminal de Cuiabá encaminhe informações ao Tribunal sobre o andamento do processo no prazo de cinco dias. Depois disso, os autos deverão ser encaminhados à Procuradoria-Geral de Justiça para manifestação. Somente posteriormente o habeas corpus será analisado definitivamente pela Terceira Câmara Criminal do TJMT.
Assassinato de Renato Nery
Renato Gomes Nery, de 72 anos, foi assassinado em 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por disparos de arma de fogo, chegou a ser socorrido, mas morreu posteriormente.
As investigações da Polícia Civil apontaram o casal de empresários de Primavera do Leste, Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sechi, como supostos mandantes do crime. A investigação relaciona a motivação a uma disputa judicial envolvendo uma área rural localizada em Novo São Joaquim.
Além do casal, outros envolvidos foram denunciados no processo, entre eles policiais militares apontados como intermediários e o homem identificado como executor dos disparos.
O executor, Alex Roberto de Queiroz Silva, já foi submetido ao Tribunal do Júri e condenado a 36 anos de prisão. Os demais acusados, incluindo Julinere e César, ainda respondem ao processo e não possuem condenação definitiva pelo assassinato.
A data do julgamento de Julinere pelo Tribunal do Júri ainda não foi definida.
✅ Clique aqui para seguir o canal do CliqueF5 no WhatsApp
✅ Clique aqui para entrar no grupo de whatsapp
Fonte: Click F5





