
Foto-Reprodução-Web
O Tribunal do Júri da Comarca de Jaciara (a 127 Km de Primavera do Leste) condenou Wanderson da Silva Ferreira, conhecido como “Índio”, a 53 anos e 10 dias de reclusão em regime inicial fechado. A sentença, proferida pelo juiz presidente Ednei Ferreira dos Santos, responsabiliza o réu pelo feminicídio qualificado da ex-companheira Andreia Ferreira de Souza, de 31 anos, e pelo crime de tráfico de drogas. A decisão atendeu integralmente à denúncia apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
O crime e a tentativa de fuga
O feminicídio ocorreu na madrugada de 27 de junho de 2025. Conforme apurado pelas investigações, Wanderson não aceitava o fim do relacionamento com a vítima. O réu armou uma emboscada e aguardou a chegada de Andreia em frente à residência dela, atacando-a com ao menos dez golpes de faca.
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Imagens de câmeras de segurança registraram os momentos de horror. No vídeo, uma testemunha de camiseta amarela tenta conter o agressor aos gritos antes de fugir. Logo em seguida, o suspeito aparece caminhando tranquilamente com a arma do crime nas mãos.
Após o ataque, o condenado fugiu de motocicleta, mas foi localizado no mesmo dia pela Polícia Militar na BR-364, na altura de Alto Araguaia. Durante a abordagem, tentou se desfazer de uma sacola com 36 eppendorfs de cocaína embalados para comercialização.
Candidatura à pena severa e reparação ao filho
A pena fixada pelo júri dividiu-se em:
Feminicídio qualificado: 47 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão.
Tráfico de drogas: 5 anos, 5 meses de reclusão e 550 dias-multa.
Os jurados reconheceram quatro qualificadoras e causas de aumento: o crime ser cometido por razões da condição do sexo feminino (violência doméstica/menosprezo); uso de meio cruel; emboscada; e o fato de a vítima ser mãe de uma criança de 6 anos à época dos fatos. A sentença também estabeleceu uma indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais e materiais em favor do filho órfão de Andreia.
Mato Grosso enfrenta escalada nos índices de violência de gênero
A severidade da condenação em Jaciara reflete o esforço das instituições do sistema de Justiça para dar respostas céleres diante de um cenário crítico no estado. De acordo com dados atualizados pelo Observatório Caliandra, do MPMT, Mato Grosso já soma 38 feminicídios registrados, mantendo o estado entre as maiores taxas de mortes violentas de mulheres proporcionalmente no país.
| Indicador de Feminicídios em MT | Dados Recentes |
| Total em 2026 | 38 vítimas |
| Mês mais violento no ano | Junho (7 casos) |
| Local do crime | 22 dos 38 casos ocorreram dentro da própria residência da vítima |
| Arma empregada | 19 mortes causadas por armas brancas (facas e perfurocortantes) |
| Medida Protetiva | Apenas 2 das 38 vítimas tinham medida protetiva ativa |
| Órfãos gerados | Mais de 58 crianças e adolescentes perderam as mães |
O caso de Jaciara destaca a combinação mais frequente nos indicadores do estado: crimes praticados com armas brancas dentro ou em frente à casa das vítimas por companheiros ou ex-companheiros e que deixam dependentes desamparados.
Fonte: Click F5





