
O Tribunal do Júri de Cuiabá (234 Km de Primavera do Leste) condenou, na madrugada desta sexta-feira (2 de outubro de 2026), Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, executado em dezembro de 2023. Juntas, as penas dos três réus somam mais de 68 anos de reclusão.
Os acusados foram condenados por homicídio qualificado — praticado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito ou proibido.
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Detalhamento das Penas
Antônio Gomes da Silva (Executor): Condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. Ele teve a pena reduzida devido à atenuante de confissão espontânea do crime.
Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas (Financiador): Condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. O réu, apontado pelo Ministério Público como o financiador do homicídio, teve a pena atenuada por ter mais de 70 anos.
Hedilerson Fialho Martins Barbosa (Intermediador): Condenado a 25 anos de reclusão. Não foram reconhecidas atenuantes em seu favor.
Por se tratar de uma decisão em primeiro grau, todos os réus poderão recorrer da sentença.
Três Dias de Maratona Judiciária
Presidido pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal Especializada de Cuiabá, o julgamento somou mais de 38 horas de trabalhos no plenário:
Terça-feira (29/09): O primeiro dia foi dedicado ao oitiva de seis testemunhas de acusação, incluindo delegados da Polícia Civil e da Polícia Federal, que ratificaram a solidez das provas contra o trio.
Quarta-feira (30/09): Ocorreram os interrogatórios dos réus, com momentos de alta tensão e alegações polêmicas.
Quinta-feira (01/10): Os debates entre a acusação (liderada pelos promotores Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, ao lado do assistente Giovani Santin) e as defesas estenderam-se ao longo do dia e da noite, culminando na leitura da sentença na madrugada de sexta-feira.
O Que Revelaram os Interrogatórios
Durante seu depoimento, o executor Antônio Gomes confessou ter disparado contra a vítima e tentou justificar o crime alegando uma “missão” contra a corrupção no sistema judiciário. Ele alegou ter agido por conta própria, mas não revelou quem lhe forneceu a foto do advogado. A defesa de Antônio chegou a pedir a suspensão do julgamento para instaurar um incidente de insanidade mental, solicitação que foi prontamente negada pelo magistrado.
Hedilerson Fialho negou qualquer envolvimento na contratação, mas admitiu que a arma Taurus 9mm utilizada no crime pertence a ele. Emocionado, disse ter sido “traído” por Antônio, que teria furtado o armamento do quarto de hotel em que dividiam hospedagem.
Por fim, o coronel Etevaldo Caçadini negou o financiamento e disse ser um “bode expiatório”. Ele confirmou frequentar o mesmo círculo político dos acusados e apontou ter tentado um acordo de delação premiada sem sucesso.
Operação Sisamnes e Desdobramentos no STJ (Julho de 2026):
Contexto: O assassinato de Zampieri foi o estopim para a deflagração de investigações pela Polícia Federal sobre um esquema bilionário de comercialização de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Atualização Recente: Em julho de 2026, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal nove investigados por corrupção e organização criminosa. Na mesma época, o ministro Cristiano Zanin autorizou o aprofundamento das diligências da PF sobre a participação de magistrados de tribunais superiores no esquema.
Processo Paralelo dos Supostos Mandantes:
Contexto: O empresário Aníbal Manoel Laurindo e sua esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, apontados como os reais mandantes do crime por conta de uma disputa fundiária de R$ 100 milhões pela Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, respondem ao processo em autos separados. O andamento dessas ações segue em fase de oitivas e recursos preliminares.
Reação do Ministério Público no Plenário (Outubro de 2026):
Contexto: Durante as sessões finais do júri, a acusação destacou que as provas levantadas pela Polícia Civil de MT foram inteiramente confirmadas pela Polícia Federal ao chegarem às instâncias superiores. Promotores rebateram duramente a estratégia da defesa de “julgar a vítima”, enfatizando que o foco do Tribunal do Júri é a punição de uma execução violenta e encomendada.
Fonte: Click F5





