Com variação positiva de apenas 0,02%, a cesta básica em Cuiabá atingiu o preço médio de R$ 902,37, uma diferença de R$ 0,22 em relação à semana anterior. Apesar da estabilidade semanal, o valor médio dos produtos segue 13,55% acima dos R$ 788,74 registrados no mesmo período de 2025, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).
A pequena variação semanal contrasta com a alta acumulada no comparativo anual. Diante desse cenário, o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, destacou o alto custo dos alimentos e os impactos sobre o poder de compra das famílias, tanto na capital quanto no restante do estado.
Ao comentar o cenário, Tião da Zaeli ressaltou que a redução pontual de alguns preços não significa, necessariamente, a recuperação do poder de compra perdido ao longo do último ano. “Mesmo quando os preços apresentam pequenas quedas de uma semana para outra, o consumidor ainda sente o peso dos aumentos acumulados ao longo do ano. A cesta acima de R$ 900 mostra como o custo da alimentação continua pressionando o consumo, mesmo quando parte dos produtos apresenta redução no curto prazo”, afirmou.
Segundo análise do IPF-MT, a combinação entre o aumento da oferta de alguns alimentos e as restrições pontuais na disponibilidade de outros reforça a influência dos ciclos produtivos na formação dos preços da cesta básica.
Entre os produtos que mais se destacaram na semana está o tomate, que registrou alta pela segunda semana consecutiva. Desta vez, o aumento foi de 4,29%, elevando o preço médio para R$ 12,20/kg. O valor está 70,72% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
De acordo com a avaliação do instituto, a nova alta pode estar associada à restrição da oferta, provocada pelas chuvas, que têm prejudicado a qualidade e a colheita dos frutos, além do encerramento da safra em algumas regiões produtoras.
Apesar da alta expressiva do tomate, grande parte dos itens apresentou recuo semanal. O feijão, por exemplo, registrou preço médio de R$ 8,42/kg, uma redução de 2,04% em relação à semana anterior. Os estoques acumulados no mercado, aliados à baixa demanda pelo alimento, podem ter contribuído para esse resultado.
A batata também apresentou queda, de 1,82%, chegando ao preço médio de R$ 7,08/kg. A redução pode estar associada à maior oferta do produto e à baixa qualidade dos tubérculos, fatores que podem ter pressionado os preços para baixo.
As oscilações da semana mostram que a redução pontual de alguns preços não representa, necessariamente, um alívio duradouro para o consumidor. Embora o feijão e a batata tenham registrado queda, os dois produtos continuam mais caros do que no mesmo período de 2025, com altas acumuladas de 33,35% e 134,15%, respectivamente.
As condições climáticas também influenciaram os preços de outros produtos da cesta básica, com efeitos distintos. No caso da banana, o calor intenso nas regiões produtoras acelera o processo de maturação da fruta e exige a antecipação da colheita. Com isso, a oferta aumenta, contribuindo para a redução de 1,42% no preço médio, que chegou a R$ 8,34/kg.
O café também registrou queda, de 1,12%, com preço médio de R$ 27,54 por pacote de 500 gramas. Segundo a análise do IPF-MT, o retorno das chuvas nas principais lavouras e a estabilidade dos estoques internacionais aumentaram a segurança quanto à oferta do produto, o que pode ter contribuído para a redução do preço.
Já o açúcar apresentou alta de 0,40%, atingindo o preço médio de R$ 1,63/kg. O clima chuvoso nos principais canaviais prejudicou o ritmo da colheita. A oferta restrita de cana-de-açúcar pode ter levado as usinas a priorizarem a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar e contribuindo para a elevação dos preços.
Fonte: Pnb Online




