Jofran Oliveira, o professor de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) que esqueceu o filho de três anos na cadeirinha do carro no estacionamento da instituição em março deste ano, publicou uma carta nesta segunda-feira (13) nas redes sociais pedindo perdão ao menino morto.
O pai admite o erro que levará o peso por toda vida. “Preciso te pedir perdão. Já pedi perdão a Deus e aqueles que te amam. Como pude esquecer a minha vida naquele carro? Porque isso aconteceu com você, meu filhinho? E porque dessa forma? São perguntas que eu me faço desde aquele instante. Naquele momento, me encontrei no vale da sombra da morte, sozinho, sem fé. Sem desculpas, só culpa. Meu mundo explodiu, meu coração quebrou em mil pedaços, e eu perdi minha identidade. Perdi o que eu achava ser a minha missão na terra: “evoluir por meio da paternidade e da família”. Desejei profundamente trocar de lugar com você. Senti a maior vergonha que jamais imaginei ser capaz de sentir. Deus me deu um tesouro para amar e cuidar, e eu me descuidei. Perdão, meu amor. Perdão meu filhinho. A minha fragilidade nos levou a uma tragédia, e eu levarei essa dor dentro do meu coração pelo resto da minha vida”, lamentou.
A tragédia aconteceu no dia 19 de março deste ano. O pai, que é professor da instituição, teria chegado ao local por volta das 13h30 para iniciar suas atividades acadêmicas, esqueceu o filho na cadeirinha no banco traseiro do veículo.
Somente por volta das 17h30, ao retornar ao estacionamento, o professor percebeu a situação e encontrou o menino já sem sinais vitais. “Meu filhinho, começo essa carta dizendo que tenho o maior orgulho do mundo em ser o seu papaizito. Para sempre serei. Você chegou em nossas vidas no momento em que mais precisávamos de você, quando nossos corações choravam a partida do seu avô José, sua tia Jó e do seu tio Junior. Você foi muito desejado por toda a sua família, e a sua chegada nos virou pelo avesso. Quando você saiu desse forninho ficamos muito emocionados. Eu filmei tudo, mas sua mãe nunca quis ver, pois tem muito medo de sangue. Ela só queria te ver, te ter nos braços e dizer o que você certamente já sabia: o quanto ela te amava”, recordou.
GRAVIDEZ DE RISCO
Ainda no texto, ele conta sobre a descoberta da gestação e os desafios enfrentados pela mãe. “Sua mãe foi uma guerreira. Teve que tomar injeções todos os dias enquanto você estava na barriguinha dela. Às vezes ela até chorava com medo da injeção, igualzinho você. E aquela barriguinha era muito especial, né. Mas a mamãe não gostava quando as pessoas passavam a mão, acho que ela já sabia o quanto você amava cada centímetro daquele forninho. Foi um forninho abençoado por Deus, que preparou para nós os nossos maiores presentes: você e sua irmãzinha, sua Nainha”, relembrou.
O professor também conta com emoção o amor do filho pela mãe. “Depois, quando você cresceu, aprendeu a pedir carinhosamente: Mamãe, quero mama-mimi!”. Certa vez, brincando na sala, você disse sem errar uma letra: Mamãe, eu nunca vou abandonar você! Eu jamais esqueci. Confesso que nunca vi um amor tão lindo quanto o seu com a sua mãe. Puro, forte, intenso. Visceral. Parece até que o amor foi concentrado, tinha pressa para amar. E esse amor transbordou em todos nós”, enfatizou.
No dia da morte de Levi, o pai, em estado de choque e profundamente abalado, precisou ser socorrido e encaminhado a uma unidade hospitalar. Foi apontado que o professor sofreu um princípio de infarto e precisou ser sedado.
Jofran disse que foi o amor do filho e a misericórdia da esposa que o “salvaram” da morte. “Mas sabe aquele amor que transbordou em todos nós? Ele me resgatou no leito da UTI, por meio do amor misericordioso da sua mamãe, do abraço misericordioso das pessoas que nos acolheram, das orações misericordiosas dos amigos e das pessoas que nem conhecemos, da sensibilidade misericordiosa dos padres e pastores que nos dedicaram palavras e orações para resgatar a nossa fé. Vemos a presença de Deus em muitos detalhes, e isso tem nos mantido de pé, mesmo diante da tormenta e do sofrimento causados por essa tragédia. E não estamos mais sozinhos. Deus e uma comunidade imensa estão conosco. Serei eternamente grato por ser o seu papaizito”.
Por fim, lamentou que a perda do filho será sempre um buraco em seu coração. “Você me transformou na sua chegada e na sua partida. E o buraco que está em meu coração eu ofereço a Deus, para que Ele faça de mim uma pessoa melhor e um instrumento da vontade de Ele aqui na terra. Fica com Deus meu filhinho, e eu ficarei aqui aguardando pelo dia de te reencontrar no céu. Te amei, te amo e pra sempre te amarei. Do seu eterno papaizito, Jofran”, concluiu.
Fonte: Folha Max




