O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro cobrou que a campanha do irmão Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, esteja mais engajado para responder a crises de forma mais célere. O ex-parlamentar foi questionado sobre os áudios vazados entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, sobre um repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões).
“A campanha do Flávio precisa estar mais engajada em um gabinete para resolução de crises e dar uma pronta resposta. A gente demora um pouco para responder porque não podemos dar uma resposta qualquer, senão vamos cair em contradição, em falta de informação completa, o que é um prato cheio para nossos inimigos”, afirmou em entrevista ao Paulo Figueiredo Show.
Eduardo ainda disse que a chance do irmão desistir das eleições para a Presidência do país “é zero”.
“Zero, nenhuma. Até porque, com todo respeito aos outros candidatos da direita, essa possibilidade [do Flávio não concorrer à Presidência da República], ainda que aventada, seria o fim dessa eleição. Acho que só o Flávio consegue bater o Lula”, afirmou.
As declarações de Eduardo aconteceram depois de o The Intercept Brasil publicar áudios de conversas entre Flávio e Vorcaro sobre um repasse milionário que seria usado para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis transferências bancárias para financiar o projeto.
Segundo o ex-deputado, a relação entre o senador e o ex-banqueiro era focada exclusivamente na busca de investimento para o longa. “Para quem não conhece, vai falar que esse filme é super caro. Não, para os padrões de Hollywood, não [é caro]”, disse.
Do valor enviado por Vorcaro, US$ 2 milhões teriam sido transferidos para um fundo sediado no Texas denominado Havengate Development Fund LP, que tem como um dos responsáveis legais Paulo Calixto, advogado de Eduardo. Uma das suspeitas é que parte do valor teria sido usada para bancar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
O ex-deputado, no entanto, negou viver bancado pelo ex-banqueiro. “Zero dinheiro de fundo, zero dinheiro de Vorcaro. Isso de Havengate não tem”, afirmou.
Entenda o caso
As mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro mostram a negociação do repasse de US$ 24 milhões. O valor seria usado para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Entretanto, a produtora do filme negou ter recebido recursos do banco Master.
Nas mensagens de áudio enviadas por Flávio a Vorcaro, o senador relata que está passando por momentos de dificuldade para conseguir arcar com os custos da produção.
Flávio também cobra Vorcaro para dar continuidade aos pagamentos e diz que está correndo o risco de “não honrar compromissos”.
Durante a conversa, Flávio chama Vorcaro de “irmão”. Em outro momento, o filho mais velho de Bolsonaro presta solidariedade ao banqueiro que já era alvo de investigação.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio Bolsonaro a Vorcaro, no dia 16 de novembro de 2025, um dia antes da operação da PF (Polícia Federal) que prendeu o ex-dono do Banco Master no Aeroporto de Guarulhos.
Em entrevista à CNN, Flávio negou ter intimidade com Daniel Vorcaro. O senador afirmou ainda que o uso do termo “irmão” é o “jeito carioca de falar”.
Fonte: Cnn Brasil




