Cerca de 61% das pessoas afirmam que muitas vezes os casos de violência contra mulher são frutos de opções erradas das vítimas ao escolher um parceiro. Os dados são de uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Movimento Mulher 360, que ouviu 2.004 cidadãos acima de 16 anos, divulgada na manhã desta segunda-feira (1º).
De acordo com o levantamento, o número sobre a afirmativa é maior entre o homens, que correspondem a 65% dos que concordam com a tese. Já entre as mulheres, os valores são menores, mas mesmo assim quase atingem a casa dos 60%, registrando 58% das respostas positivas.
Alguns recortes mostram uma maior discrepância entre os dados. O estudo aponta, ao analisar a situação seguindo o nível de escolaridade, que 73% das pessoas com o ensino fundamental concordam que a culpa é da vítima. Entre os que tem ensino médio, o número cai para 61%. Já entre o ensino superior, os valores são de 48%.
“Essa percepção reforça como a responsabilidade pela violência ainda é frequentemente transferida às vítimas, e não aos agressores, o que pode contribuir para o silêncio, o medo e a permanência em relações violentas”, aponta o estudo.
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Como as respostas são dadas
As respostas sobre a afirmativa de que “muitas vezes os casos de violência contra a mulher são fruto das escolhas erradas que elas fizeram na hora de buscar um parceiro para se relacionar” são divididas em cinco categorias.
Entre elas estão: “discorda totalmente, discorda em parte, não concorda nem discorda, concorda em parte e concorda totalemente”. A maior diferença entre as respostas de homens e mulheres está exatamente nos dois extremos.
Os homens, com 44%, apontam para “concorda totalmente” quando são questionados sobre o assunto. O número representa uma diferença de 8% em relação às respostas das mulheres sobre a mesma condição.
Por outro lado, quando a resposta é “discorda totalmente”, os números das mulheres são de 25%, cerca de 6% maior do que o dos homens. No restante das divisões, as porcentagens ficam iguais ou equiparadas.
Agressões recorrentes
Na pesquisa, 84% das 1037 que participaram do estudo como um todo, responderam a um módulo de autopreenchimento do questionário.
Neste caso, o levantamento mostrou que cada vítima já havia passado por 3 situações de violência de gênero, em média. Além disso, 74% das mulheres viveram alguma situação de violência, sendo insultos ou xingamentos a mais comum (59%), seguido por ameaça de bater, empurrar ou chutar (45%); e ser seguida ou intimidada (43%).
Houve também relatos sobre violência sexual (ser tocada e/ou agarrada sem permissão), com 38% das mulheres tendo passado pela situação apontada. Uma em quatro mulheres também já foi espancada ou sofreu tentativa de enforcamento, enquanto 22% disseram já ter sido ameaçadas com armas ou facas.
O pós-agressão
Outro ponto da pesquisa é o que as vítimas fizeram após os episódios de agressão. Os dados apontam que 37% das mulheres que sofreram a agressão de maior impacto no último ano afirmaram não ter tomado nenhuma atitude.
De acordo com o estudo, a falta de confiança nas instituições e na efetividade das leis contribui para o cenário. Apenas 19% das mulheres afirmam confiar muito na polícia para protegê-las, percentual que sobe para 31% entre os homens.
Além disso, enquanto 55% dos homens consideram as leis de proteção às mulheres eficientes, o mesmo percentual de mulheres demonstra desconfiança em relação à efetividade da legislação.
“Diante do medo, do sentimento de culpa, da falta de amparo e da desconfiança sobre possíveis consequências, muitas mulheres permanecem em situações de abuso e vulnerabilidade”, conclui a pesquisa.
A pesquisa foi realizada entre 6 e 11 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para o total da amostra, considerando nível de confiança de 95%.
Fonte: Cnn Brasil




