
O vereador de Cuiabá Rafael Ranalli (PL) foi alvo de uma notícia de fato protocolada no Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) após utilizar a tribuna da Câmara Municipal para comentar e defender a marca de detergentes Ypê, em meio a uma polêmica envolvendo a empresa e decisões recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A representação pede que o órgão apure possível uso do espaço público para promoção de marca privada e levanta ainda a suspeita de conflito político, citando que a empresa teria relação com doações eleitorais a integrantes do Partido Liberal. O documento também solicita investigação sobre eventuais impactos sanitários e de interesse coletivo diante das declarações feitas pelo parlamentar.
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O episódio ocorreu no dia 12 de maio, durante pronunciamento em plenário, quando Ranalli levou um produto da marca à tribuna e comentou a suspensão de lotes determinada pela Anvisa, que apontou risco de contaminação microbiológica em produtos da fabricante. A agência federal chegou a determinar o recolhimento e suspensão de itens específicos, medida que gerou forte repercussão nacional e mobilização nas redes sociais.
Durante a fala, o vereador questionou as decisões envolvendo o caso e afirmou que há “coincidências” em uma sequência de episódios que, segundo ele, merecem atenção. Ele citou ainda outras empresas inseridas no debate político recente no país e mencionou a concorrente Minuano, além de relações envolvendo grandes grupos empresariais.
“Hoje a gente vive em um país polarizado. A gente viu o caso das próprias Havaianas, vira e mexe a gente traz à tona o caso do Magazine Luiza. E, nesse caso, a gente viu fatos, muitas coincidências, na verdade”, afirmou.
Ranalli disse ainda que esse tipo de situação tem levado setores da direita a questionar decisões de órgãos federais e ressaltou que não estava fazendo acusações diretas, mas levantando questionamentos.
“A gente não está cravando nada, mas são fatos que acabam levantando dúvidas. Se a população não questionar, tudo vira verdade absoluta”, declarou.
O vereador também comentou a repercussão de vídeos nas redes sociais que mostraram pessoas consumindo detergente durante a polêmica envolvendo a marca. Para ele, esse tipo de atitude extrapola o debate.
“Aí tem coisas que já passam do limite. Beber produto de limpeza não tem muito sentido”, disse.
A notícia de fato foi encaminhada às Promotorias de Justiça da Capital, que irão avaliar se há elementos suficientes para abertura de procedimento formal contra o parlamentar.
A empresa citada na discussão afirmou que recorreu das decisões da Anvisa e considera a medida desproporcional. Já a agência reguladora informou que a suspensão se restringe a lotes específicos e reforçou a orientação para que consumidores interrompam o uso dos produtos atingidos.
Fonte:Estadão MT




