Faissal diz que está tranquilo após operação da PF: “Quem não deve, não teme”

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Alvo da Operação Gemini, da Polícia Federal, o deputado estadual Faissal Calil (PL) afirmou nesta segunda-feira, 8 de junho, que está tranquilo diante das investigações e declarou que “quem não deve, não teme”. O parlamentar também disse que se afastou do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) ao assumir o mandato na Assembleia Legislativa.

Faissal afirmou que recebeu os policiais sem resistência e que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão judicial que motivou a operação.

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“Recebemos a polícia com muita tranquilidade. Não tem nada a ver com o meu mandato de deputado. É uma decisão vinda do STJ. Nós ainda não temos ciência do teor dessa decisão. Estou aqui pronto para esclarecer todos os fatos. Quem não deve, não teme”, declarou.

A Polícia Federal apontou Faissal como “homem de confiança” do desembargador afastado Dirceu dos Santos em um suposto esquema de venda de sentenças investigado no Judiciário mato-grossense. O deputado, porém, negou qualquer relação financeira com o magistrado.

“Não tem nenhuma transação econômica minha com ele. Isso não é verdade. Sou o maior interessado em que isso seja esclarecido o mais rápido possível”, afirmou.

Faissal trabalhou no gabinete de Dirceu dos Santos no TJMT entre 2017 e 2018, antes de ser eleito deputado estadual. Segundo ele, a relação com o desembargador foi encerrada após sua saída do Tribunal de Justiça.

“Desde que virei deputado e saí do Tribunal de Justiça, perdi todo o contato. Eu simplesmente me afastei. Pode investigar o que for. Estou muito tranquilo. Dei meu iCloud e fiz tudo o que a polícia pediu. Não me esquivei”, disse.

Dirceu dos Santos está afastado do cargo desde março por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sob suspeita de obtenção de vantagens indevidas e favorecimento em decisões judiciais. Segundo as investigações, o patrimônio do magistrado ultrapassa R$ 16 milhões, valor considerado incompatível com os rendimentos da magistratura.

O desembargador também é proprietário de um apartamento avaliado em R$ 1 milhão, localizado no bairro Duque de Caxias, área nobre de Cuiabá. Conforme consta na relação de bens analisada pelos investigadores, o imóvel, situado no Edifício Vila Real, teria sido adquirido por meio de permuta em conjunto com o deputado Faissal Calil. No entanto, o apartamento não consta na declaração de bens apresentada pelo parlamentar à Justiça Eleitoral.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

A Operação Gemini é um desdobramento da Operação Sisamnes, que já afastou, além de Dirceu, os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho. O juiz Ivan Lúcio Amarante também foi alvo da ação da PF.

O esquema de venda de sentenças veio à tona após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá, em 2023, quando mensagens e arquivos encontrados em seu celular teriam revelado detalhes das negociações de decisões judiciais.



Fonte:Estadão MT