PF apreende arsenal, Rolex e canetas de luxo em operação sobre venda de sentenças

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A Polícia Federal apreendeu uma arma de grosso calibre, diversas outras armas, um relógio Rolex e canetas de luxo durante uma operação que investiga um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), além de possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

Entre os alvos da investigação estão o deputado estadual Faissal Calil (PL), o desembargador afastado Dirceu dos Santos e outras 12 pessoas. As apurações apontam suspeitas de negociação de decisões judiciais dentro da estrutura do Judiciário mato-grossense.

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Além das apreensões, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão domiciliar, buscas pessoais e medidas de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados.

Faissal atuou no gabinete de Dirceu dos Santos no TJMT entre 2017 e 2018, antes de ser eleito deputado estadual e tomar posse na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A ligação entre os dois volta ao centro das investigações com o avanço das diligências conduzidas pela Polícia Federal.

O caso atinge diretamente os bastidores do poder em Mato Grosso e expõe mais um capítulo envolvendo suspeitas de influência sobre decisões judiciais e possíveis benefícios indevidos dentro do Tribunal de Justiça.

Dirceu dos Santos está afastado do cargo desde março por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sob suspeita de obtenção de vantagens indevidas e de favorecimento em decisões judiciais. Segundo as investigações, o patrimônio do magistrado ultrapassa R$ 16 milhões, valor considerado incompatível com os rendimentos da magistratura.

O desembargador também é proprietário de um apartamento avaliado em R$ 1 milhão, localizado no bairro Duque de Caxias, área nobre de Cuiabá. Conforme consta na relação de bens analisada pelos investigadores, o imóvel, situado no edifício Vila Real, foi adquirido por meio de permuta em conjunto com o deputado Faissal Calil.

No entanto, o apartamento não aparece na declaração de bens apresentada pelo parlamentar à Justiça Eleitoral.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.



Fonte:Estadão MT