
O deputado estadual Faissal Calil (PL) e o desembargador afastado Dirceu dos Santos figuram como os principais alvos da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (8). A ação visa desarticular um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro estruturado no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a operação é um desdobramento direto da Operação Sisamnes e mobilizou agentes federais para o cumprimento de mandados de busca e apreensão domiciliar, além do afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos envolvidos.
As investigações apontam os crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e ocultação de recursos de origem ilícita. Entre as diligências em Cuiabá, é realizada a busca por documentos na residência do parlamentar, localizada no bairro Shangri-lá. O foco das autoridades é aprofundar as evidências de negociações de sentenças que estariam ocorrendo dentro da estrutura do Judiciário mato-grossense.
A relação entre Faissal Calil e o magistrado é um dos pilares centrais do inquérito, já que o parlamentar trabalhou no gabinete de Dirceu dos Santos no TJMT entre os anos de 2017 e 2018, período que antecedeu sua eleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
Além do vínculo profissional prévio, as apurações revelaram uma conexão patrimonial suspeita: ambos teriam adquirido, “por permuta”, um apartamento avaliado em R$ 1 milhão no Edifício Vila Real, situado no bairro nobre Duque de Caxias, em Cuiabá. No entanto, este imóvel não foi listado na declaração de bens entregue pelo deputado à Justiça Eleitoral, embora tenha sido citado em um processo de divórcio.
O desembargador Dirceu dos Santos já se encontrava afastado de suas funções por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde o início de junho, sob suspeita de obtenção de vantagens indevidas e troca de decisões judiciais.
A reportagem solicitou posicionamentos oficiais ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), à Assembleia Legislativa (ALMT) e à assessoria do deputado Faissal Calil, mas até o momento não obteve retorno de nenhuma das partes citadas. O espaço segue aberto.
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