
ANA CRISTINA VIEIRA
DO CONEXÃO PODER
O acesso a armas de fogo por mulheres como mecanismo de proteção individual entrou na pauta de discussões sobre o enfrentamento à violência doméstica em Mato Grosso. Em entrevista ao Conexão Poder, a secretária de Segurança Pública do Estado, coronel Susane Tamanho, comentou que acha válido que a mulher tenha esse direito, no entanto questionou se a medida vai interferir na diminuição da violência.
“Eu penso que é um tema sensível, mas eu acho que se há a possibilidade daquela pessoa resguardar o seu direito à vida e fazer isso de uma maneira que ela tenha esse controle, porque assim, tem muitas coisas que elas são gatilhos, né? E a gente tem que ter um controle emocional pra você estar com uma arma. Mas eu acho que a partir do momento que você tem um mecanismo de defesa, eu acho que ele é válido“, avaliou a secretária.
Embora valide o dispositivo como recurso de proteção, a chefe da pasta ponderou que a presença de armas não representa uma garantia automática de redução nos índices de violência familiar.
“Agora, se isso vai frear essa escalada ou não, é um ponto sensível (…).Eu acho que assim, ter armas eu acho que é importante desde que haja um equilíbrio, um controle emocional realmente pra se fazer o uso disso, ter essa ferramenta. E aí a gente tem que entender como isso vai acontecer“, detalhou a coronel.
A análise do histórico normativo brasileiro, oscilando entre períodos de desarmamento e de maior flexibilização, também foi apontada pela gestora para contextualizar a complexidade do cenário atual, afastando o debate de polarizações partidárias e focando na legalidade do direito de defesa.
“A gente teve políticas aí de governos anteriores com retirada de arma da população. Isso foi o melhor caminho? Ah, eram essas armas que estavam causando crimes? Então, é delicado, você entendeu? Hoje em dia a gente tem que fazer essa leitura. E eu não tô falando de ideologia política, partitária, muito longe disso. Eu acho que é um direito que a pessoa, se há possibilidade legal, e é algo que eu entenda que é pra me defender, eu vou me defender de qualquer coisa. Mas eu acho que é um tema sensível. Eu não vou dizer aqui que eu sou contrária a isso, porque é um jeito que a pessoa tem. Talvez seja o último recurso que ela tenha pra se defender“, reforçou a secretária de Segurança Pública.
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Fonte: Repórter MT




