
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu seis mandados de busca e apreensão domiciliar em apoio a uma grande operação deflagrada pela Polícia Civil do Paraná. A ofensiva visa desarticular uma organização criminosa especializada em estelionato. As ordens judiciais foram executadas simultaneamente em endereços-alvo situados nos municípios de Várzea Grande, Rondonópolis e Jangada.
Os mandados foram decretados pelo Poder Judiciário paranaense e cumpridos pelas equipes da Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande. O foco da investigação, conduzida originalmente pela Delegacia de Estelionato de Curitiba (PR), é desmantelar uma quadrilha envolvida no chamado “golpe do falso exame”, crime praticado contra familiares de pacientes internados.
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Engenharia social e crueldade: como funciona a fraude
No esquema investigado, os estelionatários entram em contato com os familiares das vítimas logo após a realização de exames ou procedimentos médicos. Demonstrando possuir informações reais sobre o prontuário e o estado de saúde dos pacientes para dar credibilidade à farsa, os criminosos alegam que há uma necessidade urgente de pagamento para a liberação de medicamentos, exames complementares ou cirurgias. Desesperados com a situação do parente enfermo, os familiares são induzidos a realizar transferências bancárias imediatas.
As autoridades paranaenses identificaram uma rede altamente estruturada. Enquanto uma parte do grupo foca na abordagem e no convencimento das vítimas, o outro núcleo fica encarregado de movimentar, pulverizar e lavar o dinheiro em diversas contas bancárias, dificultando o rastreamento financeiro. A análise das transações revelou que o grupo movimentou centenas de milhares de reais com a fraude.
As investigações continuam em andamento para identificar novas vítimas, localizar os demais integrantes do esquema e, principalmente, descobrir a origem do vazamento dos dados sigilosos dos pacientes que alimentavam o crime.
A escalada dos golpes em ambientes hospitalares
O avanço desse tipo de crime tem acendido o alerta das autoridades de segurança pública e de instituições de saúde em todo o Brasil. Nos últimos três meses, o cenário nacional aponta para uma sofisticação nas táticas de estelionato eletrônico aplicadas no setor da saúde:
Uso de dados vazados: Investigações recentes em nível nacional mostram que quadrilhas têm focado no acesso ilegal a sistemas de hospitais ou na compra de bancos de dados vazados na internet para clonar informações médicas de pacientes reais, tornando a abordagem quase indetectável pelas famílias.
Presença de “laranjas” em múltiplos estados: A pulverização do dinheiro em contas de diferentes estados, como observado nesta operação entre PR e MT, é uma tendência consolidada. Bandos recrutam pessoas para abrir contas bancárias específicas para receber o Pix do golpe e esvaziar o saldo em minutos.
Alertas institucionais: Diante do aumento de casos similares reportados recentemente, hospitais públicos e privados reforçaram comunicados oficiais destacando que nenhuma instituição de saúde solicita pagamentos em dinheiro ou transferências de urgência por telefone ou aplicativos de mensagem. A orientação padrão em caso de abordagens suspeitas é desligar e procurar a recepção física ou os canais de atendimento oficiais da instituição.
Fonte: Click F5




