
O aumento dos feminicídios e a reincidência de casos de violência doméstica em Mato Grosso têm levado as forças de segurança a buscar novas formas de prevenir crimes contra mulheres. Em entrevista ao , a secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susane Tamanho, defendeu o monitoramento de homens com histórico de violência como uma das medidas para evitar novos feminicídios e afirmou que o fortalecimento da rede de apoio às vítimas é essencial para romper o ciclo da violência.
A coronel da Polícia Militar assumiu a Secretaria de Estado de Segurança Pública em abril deste ano, após a saída de César Roveri – que vai disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa -, e recebeu do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) a missão de intensificar o enfrentamento à violência doméstica. Como publicado pelo , dados do 3º Anuário da Mulher de Mato Grosso mostram que houve um aumento de 13% no número de feminicídios no estado entre 2024 e 2025.
Annie Souza/Rdnews
Entre as medidas adotadas pela Sesp está o monitoramento de homens com histórico de violência doméstica. Para Susane, a iniciativa pode representar uma “virada de chave” na prevenção de feminicídios. “Muitas vezes [as agressões e os feminicídios] acontecem dentro de casa. Não conseguimos acessar o interior das residências, mas precisamos estar atentos, tanto que estamos fazendo visitas orientativas a esses agressores de vítimas que não têm medida protetiva”, declara.
“A gente já tem um registro de 35 mil agressores dentro de Mato Grosso e a Polícia Militar começou a fazer essa visita de orientação a esses agressores. Falar para eles: ‘olha, você já teve uma situação de ocorrência de violência doméstica, aí você foi para outro relacionamento e está novamente com isso. Então nós estamos te monitorando, nós estamos aqui pra te orientar’”, conta a secretária.
Muitas vezes [as agressões e os feminicídios] acontecem dentro de casa. Não conseguimos acessar o interior das residências, mas precisamos estar atentos, tanto que estamos fazendo visitas orientativas a esses agressores de vítimas que não têm medida protetiva
Perfil de alta agressividade
O acompanhamento deve ser contínuo, conforme a secretária, já que vários dos agressores tem um perfil de agressividade acompanhamento deve ser contínuo, conforme a secretária, já que vários dos agressores tem um perfil mais violento.
Ela dá como exemplo o caso recente em que Julio Cesar Venâncio Lira, que é suspeito de agredir a namorada, reagiu à uma abordagem da Polícia Militar, em Arenápolis (a 248 km de Cuiabá), quase decepou a mão de um militar com um facão e acabou morto a tiros. “A gente vê que essas pessoas são agressivas. Ele quase decepou a mão de um policial militar. Depois avançou para cima de uma agente, avançou de novo e morreu”. O caso aconteceu na noite de domingo (21).
Romper o ciclo da violência
A secretária também destacou que o trabalho também deve ser feito com as vítimas de violência doméstica por meio de acompanhamento psicológico. Ela cita o caso de mulheres que, mesmo com ciclo de violência dentro de casa, não buscam ajuda ou, em alguns casos, retiram as medidas protetivas, como foi feito por Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos.
Conforme publicado, a vítima foi encontrada morta com um tiro na cabeça na terça-feira (23), dentro da própria casa, em Guarantã do Norte (a 721 km de Cuiabá). O principal suspeito do crime é Matheus Gonçalves dos Santos, de 33 anos, companheiro dela, que fugiu com o filho do casal para o Paraguai, onde morreu em confronto com a polícia paraguaia.
Reprodução
O casal tinha longo histórico de violência doméstica, conforme boletins de ocorrência registrados desde 2023. Segundo a Polícia Civil, Matheus chegou a ser preso no ano passado por agredir a vítima, mas Gleici retirou as medidas protetivas contra ele, que foi solto e o casal reatou o relacionamento.
“Eu acho que é mais um caso de relacionamento pessoal das vítimas com esses agressores. A gente viu que já tinha uma situação de histórico, tinha medida [protetiva] e houve a retirada [da medida] por parte da mulher. A gente precisa começar a entender o porquê isso acontece. É uma dependência emocional? É uma dependência financeira? O que tem acontecido? Por quê?”, questiona.
Para a secretária, reduzir os índices de violência contra a mulher exige uma atuação que vá além da repressão aos agressores. Segundo ela, o Estado dispõe de programas voltados à independência financeira e ao acesso à moradia, mas é fundamental que as vítimas reconheçam a situação de violência, denunciem e busquem apoio da família e da rede de proteção. “O mais importante é a mulher se conscientizar disso, para romper esse ciclo de violência”, destaca.
Annie Souza/Rdnews
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Fonte: RD News




