Consumo das famílias cai 4,1% e mostra cautela no orçamento em Cuiabá

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A intenção de consumo das famílias em Cuiabá voltou a cair em junho, após dois meses de melhora. O índice recuou 4,1%, passando de 114,4 pontos em maio para 109,7 pontos neste mês, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisado pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT).

Apesar da queda, o indicador permanece na zona de satisfação, acima dos 100 pontos. O recuo, porém, acendeu sinal de cautela. Desde dezembro do ano passado, o índice não ficava abaixo dos 110 pontos. O resultado interrompe uma trajetória de maior confiança observada no início do ano. Em fevereiro, por exemplo, o ICF de Cuiabá havia chegado a 115,1 pontos, com alta de 0,3% sobre janeiro.

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O ICF mede a avaliação dos consumidores sobre renda, emprego, acesso ao crédito, consumo atual e expectativa para os próximos meses. Segundo a CNC, o indicador funciona como termômetro antecipado do consumo e ajuda o comércio e outros setores produtivos a planejar vendas, estoques e investimentos.

Para o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, o resultado mostra que as famílias estão mais atentas ao orçamento doméstico.

“O forte recuo observado no mês de junho, mesmo que o indicador permaneça em zona de satisfação, demonstra uma postura de atenção por parte das famílias diante das incertezas relacionadas ao mercado de trabalho, à disponibilidade de crédito e ao orçamento doméstico”, afirmou.

A piora foi generalizada entre os componentes da pesquisa. O maior recuo ocorreu na Perspectiva Profissional, que caiu 7,3% em relação a maio. A Disponibilidade de Crédito e o Nível de Consumo Atual também tiveram retração de 4,7%. Em seguida aparecem a Perspectiva de Consumo, com queda de 4,0%, o Momento para Duráveis, com baixa de 3,9%, e a Renda Atual, que recuou 3,8%. A percepção sobre o emprego atual teve variação negativa menor, de 0,8%.

Os dados mostram que o consumidor cuiabano ainda não abandonou a confiança, mas passou a comprar com mais cuidado. No item Nível de Consumo Atual, 44% dos entrevistados disseram estar comprando menos do que no mesmo período do ano passado. Outros 41,8% afirmaram consumir mais.

Mesmo com o freio nas compras, o mercado de trabalho ainda sustenta parte da confiança das famílias. Entre os entrevistados, 45,5% disseram se sentir mais seguros no emprego atual do que há um ano. Além disso, 54,7% avaliaram que a renda familiar está melhor na comparação com o mesmo período de 2025.

Wenceslau afirma que esses dois pontos impedem uma leitura mais negativa do cenário.

“Mesmo com a baixa dos indicadores, a percepção positiva sobre emprego e renda em comparação ao ano anterior demonstra que o mercado de trabalho continua sendo um importante fator de sustentação da confiança das famílias”, disse.

As expectativas para os próximos meses também seguem levemente favoráveis. Segundo a pesquisa, 47,7% dos consumidores acreditam que o consumo tende a aumentar. Outros 42% esperam redução. Para a Fecomércio-MT, esse quadro indica que o consumidor está mais prudente no presente, mas ainda vê possibilidade de melhora adiante.

A queda do indicador ocorre em um momento de atenção para o comércio. Junho costuma ser influenciado por datas comemorativas, como o Dia dos Namorados, mas também por despesas acumuladas ao longo do primeiro semestre. Com crédito mais restrito e orçamento apertado, famílias tendem a adiar compras de maior valor.

Para os lojistas, o recado é claro: o consumidor segue no mercado, mas compara preços, evita assumir parcelas longas e dá prioridade a itens essenciais. O desafio do comércio será transformar a confiança ainda positiva em venda real, sem ignorar o novo tom de cautela no bolso das famílias cuiabanas.



Fonte:Estadão MT