Inteligência e desarticulação financeira pautam o combate ao crime organizado em MT | Cliquef5

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A Polícia Civil de Mato Grosso tem direcionado suas ações para a modernização estrutural e o aprimoramento das atividades de inteligência, com o objetivo de conter o avanço das organizações criminosas e melhorar os indicadores de segurança no estado. Sob a gestão da delegada-geral Daniela Silveira Maidel, a instituição foca na recomposição do efetivo e no sufocamento financeiro das facções.

O cenário atual do combate ao crime organizado no estado é ilustrado por ações recentes. Em junho de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Pharus, vinculada ao Programa Tolerância Zero, que mirou especificamente membros de facções que operam na região norte de Mato Grosso. Um dos desdobramentos dessa estratégia ocorreu no final de junho, quando a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) cumpriram mandados judiciais e efetuaram bloqueios de contas bancárias contra lideranças que, mesmo custodiadas em presídios federais de outros estados, tentavam manter influência logística na região de Sinop. Além disso, ações locais como a Operação Quadro Disciplinar, também realizada em junho, resultaram em prisões e apreensões contra suspeitos envolvidos em práticas de “tribunais do crime” e tortura no interior do estado.

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Abaixo, a delegada-geral detalha as metodologias aplicadas, os resultados institucionais e os principais desafios enfrentados pela segurança pública:

Quais foram os desafios encontrados no início da gestão?

Assumimos a gestão com o propósito de fortalecer a estrutura da Polícia Civil e ampliar a capacidade de resposta operacional em Mato Grosso, cuja extensão geográfica exige planejamento descentralizado. Inicialmente, o foco esteve voltado para a recomposição do quadro de pessoal, o que permitiu o reforço de 46 delegados, 384 investigadores e 290 escrivães. A prioridade estabelecida foi modernizar as técnicas de investigação, descentralizar o atendimento para o interior e intensificar o combate às facções, aos crimes violentos e aos delitos contra grupos vulneráveis. Atualmente, o principal desafio é o acompanhamento da evolução tecnológica da criminalidade, demandando investimentos contínuos em inteligência e capacitação.

Quais foram os principais avanços institucionais nos últimos anos?

Houve uma evolução perceptível na melhoria das condições de trabalho, qualificação dos servidores e modernização das ferramentas investigativas. Para a sociedade, os avanços refletem-se na expansão do atendimento digital, no aprimoramento técnico dos inquéritos e no desenvolvimento de um atendimento mais humanizado — especialmente direcionado às vítimas de violência doméstica. O planejamento estratégico unificado e os aportes em viaturas, equipamentos e tecnologia trouxeram maior eficiência operacional às delegacias.

Qual metodologia tem garantido maior eficiência no volume de operações e prisões em todo o estado?

A metodologia aplicada é fundamentada em análise de dados, inteligência policial e integração estreita entre as diferentes unidades. As operações policiais deixaram de ser puramente reativas e passaram a ser planejadas com foco em alvos prioritários e na repressão qualificada. O objetivo central é a asfixia financeira e a desarticulação das estruturas logísticas das organizações, o que confere maior precisão e celeridade aos resultados.

Como avalia a atuação específica no enfrentamento às facções criminosas?

A atuação é pautada pela técnica e pela estratégia de médio e longo prazo. O enfrentamento eficaz não se restringe ao ato das prisões em flagrante, mas busca descapitalizar o crime organizado por meio do bloqueio de valores judiciais, sequestro de bens e neutralização de operadores financeiros envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro.

Como a instituição tem respondido ao crescimento dos crimes cibernéticos?

Estamos expandindo a atuação por meio do treinamento especializado de agentes e da aquisição de ferramentas tecnológicas capazes de auditar e rastrear o ambiente virtual. Por se tratar de uma modalidade criminal altamente dinâmica, a atualização dos protocolos de investigação cibernética precisa ser constante.

O combate aos crimes de gênero e feminicídios é tratado de que forma pela Polícia Civil?

Esse tema é considerado prioritário na agenda de segurança. A atuação institucional se divide entre a repressão qualificada aos agressores, a celeridade na conclusão dos inquéritos e a integração com a rede de proteção social, assegurando o acolhimento adequado e humanizado às vítimas desde o primeiro contato com a delegacia.

Qual é o planejamento estratégico para os próximos meses?

O planejamento prevê a continuidade do fortalecimento das delegacias do interior do estado, mantendo o foco em investigações técnicas de alta complexidade. A meta permanece sendo a redução dos índices de crimes violentos, a desarticulação de lideranças criminosas e o aperfeiçoamento constante dos serviços prestados ao cidadão.



Fonte: Click F5